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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Platyhelminthes

Os platyhelminthes são representados atualmente por mais de 45.000 espécies de animais terrestres, de água doce ou marinha, de vida livre ou simbionte. O aspecto do corpo achatado dorsoventralmente deu o nome comum de vermes achatados a este grupo. O grupo foi, até recentemente, subdividido em três classes: Turbellaria, Trematoda e Cestoda. Entretanto, reconstruções filogenéticas sugerem que essa classificação é inadequada. Desta forma, o grupo é hoje dividido em “Turbelária” (colocado entre aspas por se acreditar que esse agrupamento é artificial) e Neodermata. Os Neodermata são divididos em três classes: Trematoda, Monogenoidea e Cestoda.
Os Turbelários são de vida livre, incluindo as conhecidas planárias de água doce. Os Trematoda são caracterizados como organismos endoparasitos, na forma adulta encontrados principalmente no trato digestivo de hospedeiros vertebrados. O ciclo vital dos trematódeos é, em geral, complexo, envolvendo mais de um hospedeiro. Desse grupo, fazem parte espécies de importância médico-veterinária em todo mundo, incluindo espécies de Schistosoma, Fasciola e Opisthorchis, dentre outros gêneros. Os Monogenoidea são principalmente parasitos da superfície corporal e brânquias de peixes de água doce e marinhos, caracterizados por apresentar uma estrutura de fixação denominada haptor, localizada na porção posterior do corpo. Os Cestoda são Neodermata que carecem de trato digestivo, apresentando o corpo geralmente estrobilizado (segmentado). Todos os Cestóides são endoparasitos, sendo a enorme maioria de suas espécies parasita do trato digestivo de vertebrados. As tênias são pertencentes à classe Cestoda.
Os Platyhelmintes são animais triploblásticos acelomados. Durante o desenvolvimento embrionário, a blastocele é preenchida por um tecido frouxo de origem mesodérmica, denominado mesênquima ou parênquima. De uma forma geral, os Platyhelmintes são animais que tendem a apresentar uma simetria bilateral acentuada, cefalização e clara distinção entre superfície ventral e dorsal. O revestimento corporal é uma epiderme celular, ciliada ou não. A locomoção das espécies do grupo ocorre por meio de batimento ciliar ou contração muscular do corpo. Platyhelmintes carecem de sistemas diferenciados para respiração e circulação. A osmoregulação é realizada por meio de um sistema proto nefridial composto por um conjunto de canais e células flama. A célula flama tem a forma de um tubo, cujo interior há uma cavidade.
Dentro da cavidade há um grupo de flagelos, cujo movimento lembra a chama de uma vela (daí o nome célula flama). As excreções são recolhidas pelas células flama e, movidas pelo batimento dos flagelos que existem em seu interior, chegam aos tubos longitudinais de onde são lançadas para o meio exterior. O sistema digestivo, quando presente, é composto por um intestino cego, sem ânus, uma faringe muscular e uma boca, que pode ou não ser provida de ventosa. A digestão é extra e intracelular. A sucção faringeana quebra o alimento em pequenos pedaços. Estes, uma vez no intestino, são fagocitados pelas células da parede intestinal, em cujo interior ocorre a digestão intracelular. Os produtos da digestão são distribuídos as demais células através do parênquima ou mesênquima. O material não digerido é expulso pela própria boca.
O sistema nervoso é do tipo centralizado. Na região cefálica existem dois gânglios cerebróides interligados, dos quais partem dois cordões longitudinais. Estes possuem conexões transversais e ramos periféricos. Como estruturas sensoriais existem as manchas ocelares que são sensíveis a luz, mas são incapazes de formar imagens. As células tácteis possuem prolongamentos que se estendem a superfície do corpo. Os quimiorreceptores localizam-se nas regiões laterais da cabeça e dotam o animal de sensibilidade olfativa e gustativa, particularmente úteis na procura de alimento. Essas características são especialmente desenvolvidas nos turbelários de vida livre.
As espécies de Platyhelminthes são, na sua maioria, hermafroditas, apresentando cópula cruzada. O sistema reprodutor masculino e feminino é bastante variável. Nos platielmintos chamados de Arcóforos (alguns “Turbellaria”), a gônada feminina é representada por um ovário que produz ovócitos contendo vitelo em seu citoplasma. Ao longo do processo de evolução do grupo esse ovário sofreu modificações estruturais e funcionais, dividindo-se em duas estruturas denominadas germário e vitelário nos platielmintos chamados Neóforos (o restante dos “Turbellaria” e os Neodermata) (então os platielmintos podem ser dividios em Arcóforos e Neóforos de acordo com suas estruturas reprodutivas). O germário é a porção do antigo ovário que continua a produzir ovócitos fertilizáveis, mas seu citoplasma carece de grânulos de vitelo. A vitelária por sua vez, representa a porção remanescente do antigo ovário, que não mais produz ovócitos fertilizáveis, mas células vitelínicas que representam óvulos abortivos contendo vitelo em seu citoplasma. Como conseqüência dessas modificações o sistema reprodutor feminino dos platielmintes neóforos apresenta um sistema complexo de ductos, cuja função é unir o zigoto e as células vitelínicas que contém o alimento para o seu desenvolvimento, envolvendo-os em uma casca rígida.
Enquanto os grupos parasitos dos Platyhelminthes apresentam fases larvais bem definidas, muitos turbelários apresentam desenvolvimento direto. As larvas de Platyhelminthes têm denominações distintas, mas todas têm células ciliadas na sua superfície para locomoção. As larvas recebem a denominação “larva de Muller” e larva de Goethe”em Turbelários; miracídio nos Trematoda Digenea; oncomiracídio nos Monogenoidea; e hexacanto, decacanto e coracídio, dentre outras, nos Cestoda.

“TURBELLARIA”
Os turbelários são tradicionalmente conhecidos como os Platyhelminthes de vida livre, mas muitos são simbiontes de diversos outros grupos de animais, como equinodermos, crustáceos e peixes. As espécies de vida livre são principalmente carnívoras e locomovem-se pelo batimento ciliar da epiderme.
Planárias apresentam o corpo com grande achatamento dorso ventral, simetria bilateral acentuada e cefalização conspícua. A cabeça é facilmente identificável pela presença dos olhos e das aurículas. Os olhos, em número de dois, são do tipo cálice pigmentar. As aurículas são projeções laterais na cabeça com função quimiorrecepetora e fornecem ao animal uma morfologia
semelhante a uma flecha. O intestino é composto por três ramos principais, um anterior e dois posteriores. Os cecos intestinais, como são denominados esses ramos, são providos de divertículos, que facilitam o transporte de alimento a todas as células do corpo. O mesênquima envolve todos os órgãos internos desse animal, considerado como um tecido frouxo com grandes espaços intercelulares. A epiderme possui rabditos, estruturas cilíndricas associadas com a produção do muco para proteção do animal contra a dessecação e predadores. Em algumas espécies, os rabditos aparecem associados à liberação de substâncias tóxicas pelo turbelário.
A planária apresenta ao mesmo tempo genital masculino e feminino sendo, portanto, monóica ou hermafrodita. Na parte posterior da superfície ventral do corpo há um átrio genital comum onde desembocam os genitais masculino e feminino. O átrio comunica-se com o meio externo através do poro genital.
O genital feminino é constituído por dois ovários, situados na parte anterior do corpo, que se prolongam por dois canais, os ovidutos, os quais se abrem no átrio. Os ovários produzem os óvulos, que, ao descerem pelos ovidutos, recebem material nutritivo produzido por glândulas vitelínicas (neóforos).
O genital masculino é constituído por centenas de testículos localizados nas partes laterais do corpo. Estes se ligam a dutos deferentes de grande tamanho, que se estendem ao longo de cada lado do corpo do animal. Os dutos deferentes se unem para formar um pênis muscular situado no átrio genital. A fecundação é interna e cruzada. Duas planárias justapõem seus poros genitais, realizando copulação mútua, ou seja, o pênis de uma entra no poro genital da outra e vice-versa.
Após a troca de espermatozóides os animais se separam.
A planária também pode reproduzir-se assexuadamente. Por um processo denominado fissão transversal ou fragmentação espontânea o animal divide-se transversalmente, na região anterior a faringe, formando duas metades desiguais. Estas se desenvolvem em novas planárias. A planária possui ainda grande poder de regeneração. Um animal cortado em três pedaços origina três animais completos.

TREMATODA
Os trematódeos são todos parasitas. Seu corpo é revestido por uma cutícula, estando ausentes a epiderme e os cílios. A boca é anterior e o intestino bifurca-se em dois ramos.
Apresentam ventosas para fixação, localizadas ao redor da boca e da superfície ventral do corpo.
Praticamente todos os trematódeos apresentam alguma fase do seu ciclo vital envolvendo hospedeiros moluscos. São hermafroditas. São exemplos a Fasciola hepatica, parasita das vias biliares do carneiro e o Schistosoma mansoni, que causa a esquistossomose ou barriga d’água.

Esquistossomose
O Schistosoma mansoni é um verme que possui sexos separados, ou dióico. O macho mede cerca de 12 mm de comprimento por 0,44 mm de largura. No meio do corpo ele possui um canal denominado genecóforo onde se aloja a fêmea no momento da reprodução. A fêmea é um pouco mais comprida que o macho, mas tem o corpo mais fino.
Para compreender como a esquistossomose é adquirida é necessário conhecer o ciclo do S. mansoni. As larvas do verme, chamadas de cercarias, penetram no organismo humano através da pele. Essas larvas são encontradas principalmente em águas paradas, de forma que o principal meio de contaminação são os banhos em lagoas infestadas. Após atravessarem a pele, as cercarias caem na circulação sangüínea e são levadas até a veia porta, onde se instalam e se desenvolvem, dando origem aos vermes adultos. Na época da reprodução, as fêmeas grávidas se dirigem até as veias próximas do ânus. Nesse local depositam os ovos, que chegam ao interior do intestino e são eliminados em meio às fezes. Se chegarem as águas de lagoas e rios, os ovos defecados se abrirão e darão origem a larvas denominadas miracídios. Os miracídios nadam até encontrar caramujos do gênero Biomphalaria. Quando isso acontece, penetram em seu corpo e aí se reproduzem assexuadamente, dando origem a larvas chamadas esporocistos. Os esporocistos são sacos muito ramificados, preenchidos por estágios iniciais de desenvolvimento do próximo estágio larval, que geralmente é uma rédia. A rédia se diferecia do esporocisto por ser móvel e apresentar boca e um intestino rudimentar. A rédia produz no interior de seu corpo, inúmeros indivíduos do próximo estágio larval, a cercaria. As cercarias são eliminadas pelo caramujo e ficam na água, onde infectam quem nela penetrar. Esse processo de reprodução assexuada é denominado poliembrionia seqüenciada. Essa forma de reprodução permite que, de um único ovo miracídio, seja potencialmente produzido um grande número de adultos. Essa é considerada uma estratégia desse grupo de animais parasitos que parece compensar a baixa taxa de sucesso na transmissão das fases larvais de um hospedeiro para outro.

MONOGENOIDEA
Monogenoidea são Platyhelminthes Neodermata exclusivamente parasitos de animais intimamente associados com o ambiente aquático. Eles são, na maioria, parasitos de peixes sendo encontrados com freqüência sobre os filamentos branquiais, superfície corporal, cavidades associados ao trato digestivo e narinas. O ciclo vital das espécies é monoxênico, isto é, realizado entre os hospedeiros definitivos, sem intervenção de outros tipos ou espécies de hospedeiros.
Devido a essa característica de seu ciclo os monogenóideos são considerados como pragas na aqüicultura. O número de animais aumenta rapidamente em situação de cativeiro, quando os seus hospedeiros definitivos são cultivados em altas densidades.
Os monogenoidea apresentam uma enorme diversidade morfológica, mas a grande maioria de suas espécies pode ser identificada pela presença de uma estrutura de fixação em forma de ganchos, âncoras, grampos ou ventosas, denominadas haptor.

CESTODA
A grande maioria das espécies de cestóides é parasita intestinal de animais vertebrados.
Todas carecem de trato digestivo e sua nutrição, portanto, é possível apenas pela absorção, através da superfície corporal, de moléculas nutritivas disponíveis no trato digestivo do hospedeiro. A neoderme dos cestóides é provida de microvilosidades, denominadas microtríquios, que aumentam a superfície de absorção e parecem envolvidas também na inibição das enzimas proteolíticas do hospedeiro.
A cabeça dos cestóides possui uma escólice, que é responsável pela fixação no hospedeiro.
A morfologia do escólice é bastante variável, podendo apresentar inúmeras estruturas de fixação, tais como ganchos, espinhos, ventosas. O corpo é dividido em segmentos denominados proglotes.
Em cada proglote há aparelhos reprodutivos hermafroditas completos, músculos, células flama e nervos.
Os vermes desse grupo mais conhecidos são a Taenia solium e a T. saginata.

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