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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A origem da vida e a evolução

Como apareceu a vida?
Como teria aparecido a vida na terra? A solução deste problema tem preocupado o homem durante vários séculos. As religiões ofereceram várias explicações e os cientistas propuseram várias hipóteses para responder à questão.
Algumas hipóteses foram sugeridas pela ciência:
- geração espontânea;
- panspermia cósmica;
- hipótese autotrófica;
- hipótese heterotrófica.
A geração espontânea ou abiogênese
Foi proposta há mais de 2000 anos por Aristóteles. Dizia ele que a vida podia aparecer subitamente na matéria não-viva, desde que na mesma fosse insuflado o chamado “principio ativo” ou “alma imortal”, um principio não-material dirigente de uma série de reações na matéria morta, que culminaria com o aparecimento da vida.
O pensamento aristotélico dominou todas as cabeças pensantes durante muitos séculos, levando as pessoas a acreditar na geração espontânea de moscas a partir da transformação do lixo, na geração de gansos e carneiros a partir de frutos etc. cientistas em suas épocas davam  “receitas” para obter geração espontânea, como foi o caso do belga Van Helmont, que disse ter obtido, em 21 dias, camundongos a partir de uma camisa suja em contato com germe de trigo (o principio ativo seria o suor humano da camisa).
Em meados do século XVII, o florentino Redi fez experiências decisivas, provando que não havia geração espontânea de moscas a partir da carne podre, como se pensava; ele provou que as moscas se originavam a partir de moscas preexistentes ( a idéia de que a vida somente pode originar-se da vida preexistente chama-se biogênese).
Como conseqüência das experiências de Redi, arrefeceu-se o entusiasmo de muitos autores pela biogênese. No entanto, algum tempo depois, o holandês Leeuwenhoek, aperfeiçoando lentes de aumento, descobriu os micróbios. Naturalmente, não passou pela cabeça de ninguém, na época, que seres tão pequenos, invisíveis a olho nu, pudessem originar-se uns dos outros por algum processo reprodutivo; foi então admitido que pelo menos os micróbios surgiam por geração espontânea.
Em 1745, o inglês Needham colocou sucos nutritivos em um tubo de ensaio, aqueceu-o, fechou-o para impedir a entrada de ar e aqueceu-o novamente. Como depois de alguns dias os líquidos estavam cheios de micróbios, concluiu que eles haviam aparecido por abiogênese, visto que os outros tinham sido destruídos pelo calor. Tais experiências foram criticadas pelo italiano Spallanzani, que as repetiu, mas com a diferença de que em vez de aquecer os tubos ele ferveu os líquidos; mostrou, assim, que Needham não havia realmente matado todos os micróbios (o aquecimento não fora suficiente) e que os novos tinham resultado da reprodução dos que tinham sobrado. A este fato Needham objetou que a fervura havia destruído o “principio ativo”, o que explicava Por que Spallanzani não conseguia obter a presença de micróbios nos líquidos após fervê-los.
A queda da teoria da geração espontânea só foi conseguida por volta de 1860, graças às experiências conclusivas feitas pelo francês Pasteur. Em primeiro lugar, mostrou que o ar é uma fonte de micróbios, contaminando facilmente a matéria bruta. Em seguida, mostrou que em soluções nutritivas cuidadosamente esterilizadas jamais apareciam organismos vivos. Finalmente, utilizando os famosos tubos com “pescoço de cisne”, realizou experiências decisivas. Colocou líquidos nutritivos nesses frascos e aqueceu-os intensamente durante alguns minutos; verificou depois que tais líquidos permaneciam estéreis durante muito tempo. Notemos que a objeção apresentada por Needham deixa de ter valor, porque como o gargalo permanece aberto, o “principio ativo” do ar, se é que ele existia, poderia entrar e sair à vontade no líquido. Por outro lado, Pasteur quebrava o gargalo e verificava que logo apareciam micróbios no líquido nutritivo, o que mostrava que o mesmo ainda era capaz, mesmo depois de fervido, de manter a vida de micróbios nele colocados. Notemos, ainda, que as curvaturas do gargalo tinham por finalidade reter a poeira e os micróbios do ar, o que se poderia provar apenas inclinando o frasco de modo que o fluido entrasse em contato com as curvas.
Graças às experiências de Pasteur, deu-se a vitória da biogênese sobre a abiogênese, o que acarretou a existência de novo problema: se a vida vem de seres preexistentes, então onde apareceu a “primeira vida”? Quando? A possível resposta a estas perguntas pode ser encarada dentro de três hipóteses: a extraterrena, a autotrófica e a heterotrófica.
A hipótese extraterrena ou panspermia cósmica
Foi desenvolvida por Arrhenius, Richter e outros. Admite que micróbios vindos em partículas de poeira ou em meteoritos de origem extraterrena foram a fonte da vida na terra. Tal hipótese, porém, apenas transfere o problema da terra para outro planeta; além disso, em viagens para a terra, mesmo um esporo encontraria enormes variações de temperatura e radiações mortais insuportáveis. Materiais coletados na lua ou no espaço por astronautas não revelaram sinais de vida. Apesar disso, existe uma corrente de cientistas que admite a possibilidade de vida extra-espacial.
A hipótese autotrófica
Como todo ser vivo necessita de alimento para sobreviver, é lógico admitir que os primeiros seres vivos tenham sido capazes de produzi-lo, isto é, tenham sido autótrofos. Contra essa hipótese existe uma objeção muito séria: os autótrofos sintetizam alimentos orgânicos à custa de uma série extremamente complexa de reações químicas, exigindo que o organismo também seja complexo. Aceitando a hipótese autotrófica, somos obrigados a acreditar que repentinamente surgiu um ser vivo já muito complexo logo de inicio. Acontece, porém, que a teoria da evolução biológica, contra a qual não há objeções sérias, afirma que os primeiros seres vivos devem ter sido bastante simples, levando muito tempo para se tornarem complexos; portanto, os biologistas não aceitam esta hipótese, porque ela vai contra a teoria da evolução.
A hipótese da heterotrófica
Supõe que a forma mais primitiva de vida se desenvolveu a partir de matéria não-viva, formando-se, num ambiente complexo, um ser muito simples, incapaz de fabricar seu alimento. Não se trata de geração espontânea; esta afirma que seres complexos podem surgir repentinamente de matéria bruta todos os dias, enquanto a hipótese heterotrófica, supõe que um ser muito simples evoluiu vagarosamente, a partir da matéria inanimada, e que isso aconteceu há milhões de anos, não ocorrendo mais. De acordo com a hipótese heterotrófica a vida teria surgido através das seguintes etapas:
1.       Formação de aminoácidos;
2.       Formação de proteínas;
3.       Formação de coacervados;
4.       Obtenção de energia;
5.       Capacidade de reprodução;
6.       Aparecimento de autótrofos;
7.       Predomínio de autótrofos;
8.       Aparecimento de aeróbios.
A teoria da evolução
A teoria da evolução afirma que as espécies atuais descendem de outras espécies que sofreram modificações através dos tempos.
Os ancestrais das espécies atualmente existentes são considerados descendentes de predecessores diferentes deles, e assim por diante, a partir de organismos precursores, extremamente primitivos e desconhecidos. O evolucionismo prega o transformismo, explica a grande diversidade de formas de vida e rejeita o fixismo, segundo o qual o número de espécies é fixo e elas não sofrem modificações.
Evidencias da evolução
Quais são as evidencias do processo evolutivo? Tais evidências, que passaremos a analisar, podem ser resumidas em:
Anatomia comparada;
Embriologia comparada;
Bioquímica;
Fósseis.
A anatomia comparada
O estudo comparado da anatomia de animais e vegetais mostra a existência de um padrão fundamental similar na estrutura dos sistemas de órgãos. Os sistemas esquelético, circulatório e excretor constituem um ótimo exemplo disso, através das homologias. Dizemos que dois ou mais órgãos são homólogos quando tem a mesma origem embrionária e estrutura semelhante, podendo a função ser a mesma ou não.
Apesar de superficialmente diferentes, uma nadadeira de baleia, uma asa de ave, uma asa de morcego, uma pata de gato, uma pata anterior de cavalo e a mão e o braço humano são órgãos homólogos. Em cada um deles aparece quase o mesmo número de ossos, músculos, nervos e vasos sanguíneos, ordenados segundo um mesmo padrão e com grande similaridade no desenvolvimento embrionário.
A razão da homologia seria que os diferentes organismos teriam uma origem evolutiva comum: quanto mais recente o ancestral, maior a semelhança estrutural. Sob o a ação do ambiente, pode haver modificações, mas a estrutura fundamental permanecerá.
Outra evidência evolutiva, fornecida pela anatomia comparada, é a existência dos órgãos vestigiais. Existem vestígios ou rudimentos de órgãos que representam restos inúteis de estruturas ou de órgãos que são grandes e funcionais em outros animais. No corpo humano existem vários órgãos vestigiais, entre os quais citaremos: o apêndice vermiforme, o cóccix e a prega semilunar. O apêndice vermiforme é uma curta expansão, que se localiza na região onde o intestino grosso se liga ao delgado. Trata-se de um vestígio do volumoso ceco, existente nos herbívoros. Os volumosos cecos dos mamíferos herbívoros armazenam o alimento, enquanto sobre ele se exerce a ação bacteriana, para a digestão da celulose.
No homem, a coluna vertebral termina no cóccix, um osso recurvado formado por vértebras fusionadas, que é um vestígio da cauda, existente em numerosos mamíferos.
A prega semilunar é uma dobra de carne existente no ângulo interno do olho humano. Essa prega é um vestígio da membrana nictitante, que em aves e répteis constitui uma terceira pálpebra móvel, para limpeza e lubrificação do globo ocular.
A embriologia comparada
Animais de espécies diferentes, quando na fase embrionária, são muito semelhantes. Quanto maior a semelhança entre os adultos de espécies diferentes, mais prolongada é a fase embrionária comum. Assim é que os embriões de um peixe, anfíbio, réptil, ave, mamífero e do homem têm bolsas branquiais e cauda; a explicação é que nós descendemos de animais em que tais órgãos eram funcionais.
A bioquímica
O estudo da bioquímica comparada revela a grande semelhança entre proteínas do sangue de vários mamíferos. As relações protéicas do sangue mais próximas de humanos são, em ordem decrescente, os grandes gorilas, os macacos do velho mundo, os macacos de cauda pênsil do novo mundo e os tarsióides, mais primitivos.
Os peixes eliminam amônia, os anfíbios eliminam uréia e os répteis, ácido úrico. Já um embrião de ave elimina amônia inicialmente, uréia em uma época posterior e, finalmente, ácido úrico; é uma repetição do metabolismo nitrogenado filogenético.
Os fósseis
Paleontologia é a ciência que estuda os fósseis, isto é, restos ou vestígios de animais ou de vegetais que viveram antes dos tempos históricos e que se conservaram nas rochas. Assim, são fósseis não apenas partes de esqueletos que foram preservadas, mas também pegadas de animais conservadas em rochas.
Os fósseis documentam a evolução dos organismos no decorrer do tempo geológico. Para determinar a idade relativa dos fósseis, os paleontólogos se baseiam na decomposição de vários elementos radioativos, particularmente do carbono 14 e do urânio 238. Sabemos que os elementos radioativos se desintegram a taxas de tempo regulares, constituindo assim “relógios radioativos”.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A poluição do mar

Os oceanos ocupam 2/3 da superfície da terra, contendo cerca de 1420 x 1015 m3 de água. É uma enorme quantidade de água, capaz de absorver todos os resíduos que lhe são lançados. Mas a poluição pode ocorrer toda vez que as substâncias tóxicas ficam acumuladas em áreas limitadas e não se dissolvem completamente na água, ou ainda ficam acumuladas nos organismos vivos. É o caso de baixas concentrações de dimetil-mercúrio e inseticidas organoclorados, que têm efeitos nocivos sobre o fitoplâncton (plâncton vegetal). Isso pode reduzir a população de peixes. Algumas algas têm a capacidade de concentrar elementos como o iodo. Outro fato preocupante é o acúmulo de resíduos radioativos.
Além disso, há poluição do mar pelo mercúrio, em decorrência da atividade humana. Como já sabemos, este é um metal de efeito acumulativo e muito tóxico.
Poluição por petróleo
O derramamento de petróleo no mar é conseqüência do naufrágio ou avarias de petroleiros, derrames deliberados da borra de petróleo ou lavagem dos tanques dos navios.
Em termos puramente físicos, perto de 1/3 do óleo derramado é evaporado rapidamente. Sobra na superfície da água um líquido viscoso contendo fenóis e outras substancias tóxicas. Esse liquido acaba sufocando o fitplâncton e o zooplâncton.
O efeito da poluição por petróleo em pássaros é drástico. As penas ficam encharcadas de óleo, impedindo o vôo. Quando o pássaro procura limpar suas penas acaba ingerindo grandes quantidades de petróleo, o que o leva à morte por envenenamento. O isolamento térmico produzido pelas penas deixa de existir e os pássaros contraem pneumonia ou morrem de frio.
As rochas onde se fixam algas e moluscos e se movimentam os crustáceos, quando cobertas por petróleo, impossibilitam a permanência e a vida desses seres vivos.
Quando o petróleo atinge as praias, o turismo fica altamente prejudicado, ocasionando danos à economia local.
Hoje sabemos que bactérias podem promover a degradação do petróleo. Rochas e praias que foram cobertas pelo óleo se recuperaram rapidamente e a flora e a fauna foram restabelecidas graças à ação dessas bactérias decompositoras.
Têm-se utilizado vários tipos de detergentes para dispersar e emulsionar o óleo. Esses detergentes são eficazes nessa tarefa, mas se mostram muito mais tóxicos para os organismos vivos do que o próprio petróleo
Esgotos e outros resíduos tóxicos
Através dos longos emissários de descargas, esgotos não-tratados são lançados ao mar. Essa matéria orgânica será degradada e os nutrientes serão reciclados, não havendo portanto, objeções a essa prática.
O grande problema é quando esses emissários lançam os resíduos próximo às praias, gerando riscos e danos à saúde pública.
Na avaliação do grau de poluição das nossas praias, utiliza-se a determinação do número de coliformes fecais/volume de água do mar. Como se sabe, a bactéria Escherichia coli está presente nas fezes humanas em grandes quantidades.





Lixo e reciclagem

O problema do lixo
O lixo urbano é constituído predominantemente por matéria orgânica, e como tal sofre intensa decomposição, permitindo a reciclagem. A decomposição pode ser feita por dois processos: aeróbio e anaeróbio.
A decomposição aeróbia é muito mais rápida, e os resíduos resultantes são: gás carbônico, sais minerais e alguns compostos orgânicos que, mais resistentes à biodegradação, não chegam a se decompor totalmente. A decomposição anaeróbia, entretanto, pode originar compostos nocivos, como gás sulfídrico, mercaptanas e outros compostos que podem ser tóxicos ou exalar mal cheiro. O lixo urbano possui quatro destinos: lixões, aterros sanitários, compostagem e incineração.
No caso dos lixões, o lixo simplesmente é levado para terrenos baldios, onde fica exposto e é aproveitado pelos “catadores de lixo”, que correm o risco de contrair doenças. O “lixão” provoca, ainda, intensa proliferação de moscas e outros insetos. Outro inconveniente é o chorume, líquido que resulta da decomposição do lixo e que polui o solo e os lençóis de água freáticos.
O chamado aterro sanitário não é um processo de tratamento. Consiste na deposição de camadas de lixo alternadas com camadas de argila em terrenos bem drenados. Nessas condições as camadas de lixo sofrem decomposição aeróbia e depois anaeróbia. Um inconveniente do aterro sanitário é a possibilidade de contaminação das águas subterrâneas, além do não-aproveitamento dos materiais recicláveis.
A incineração é um processo dispendioso, no qual o lixo é queimado em câmaras de incineração. As cinzas resultantes podem ser usadas por indústrias de fertilizantes.
No processo de compostagem, o material orgânico do lixo sofre um tratamento biológico, do qual resulta o chamado “composto”, material utilizado na fertilização e recondicionamento do solo.
O lixo do brasileiro
Diariamente, cada brasileiro produz uma média de 600 gramas de lixo. Por semana, essa quantidade é equivalente a um estádio do maracanã lotado de porcarias. De toda essa sujeira, 70% vão para os lixões a céu aberto, 20% para aterros recobertos com terra, 5% são jogados nos rios, e o que restou é incinerado ou vira adubo nas usinas de compostagem. Menos de 1% do lixo é reciclado.
Lixões
Depósito onde o lixo é simplesmente jogado, expondo a população a sérios riscos de saúde, além de poluir o ambiente.
Aterros sanitários
Reservatórios nos quais o lixo é comprimido por maquinas e coberto com uma camada de terra para evitar mau cheiro e proliferação de insetos em geral. Em São Paulo, existem dois aterros sanitários.
Usinas de triagem e compostagem
O lixo é separado em três partes: materiais orgânicos (comidas e plantas), que são transformadas e adubo; resíduos não aproveitados e que vão para os aterros sanitários (areia, borrachas e plásticos sujos), e materiais recicláveis (vidro e papel), que são vendidos e reaproveitados.
Materiais que podem ser reciclados:
Plástico
Recicláveis: embalagens de material de limpeza e de margarina, copinho de café, cano, tubo e saco plástico.
Não-recicláveis: cabo de panela, tomada, embalagem de biscoito. A reciclagem pode ser facilitada com a retirada de rótulos de papel ou adesivos das embalagens.
O material reciclado não pode virar plástico novamente; ele é usado na fabricação de outros produtos, como brinquedos, sacolas e tubulações.
Metal
Recicláveis: latas de alimento, cerveja e refrigerante, fios de cobre e arame.
Não-recicláveis: clipes, grampos, esponjas de aço e canos.
Cada tonelada de alumínio reciclado economiza 95% de energia e evita a retirada de 5 toneladas de bauxita da terra.
Cada cem latas de aço reaproveitadas economizam a energia equivalente a uma lâmpada de 60 watts acesa por uma hora.
Papel
Recicláveis: jornal, revista, folha de caderno, computador e fax, caixa, envelope, cartaz e fotocópia.
Não-recicláveis: etiqueta adesiva, papel carbono, fita crepe, papel sanitário, plastificado e parafinado, toco de cigarro e fotografia.
A reciclagem pode ser facilitada selecionando o papel limpo e seco e retirando clipe e grampo.
Cada tonelada de papel reciclado economiza, aproximadamente, 20 árvores adultas.
Para cada tonelada de papel reciclado, 71% de energia é economizada em relação ao papel primário.
O maior mercado de papel reciclado é o de embalagens.
Quando o papel é jogado nos aterros, a degradação é bastante lenta: nos EUA foram encontrados jornais da década de 50 ainda em condições de ser lidos.
Vidro
Recicláveis: embalagens, garrafa e copo.
Não-recicláveis: espelho, lâmpada, cerâmica e porcelana.
Para facilitar a reciclagem, os vidros devem ser limpos antes de serem descartados.
Inteiro ou em pedacinhos, é totalmente reaproveitado. Não há perda de matéria-prima: 1 quilo de vidro equivale a 1 quilo de vidro novo.
Em relação à fabricação do vidro primário, uma tonelada reciclada economiza 13% de energia.
Embalagens de vidro não são biodegradáveis, ou seja, jamais se decompõem.




segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Os poluentes do solo

Em relação à poluição do solo, analisaremos: o uso de adubos sintéticos e praguicidas e o problema do lixo.
O uso excessivo de adubos sintéticos
A fim de atender à crescente demanda de alimentos, acarretada pelo crescimento populacional, a produção e o uso de adubos sintéticos vêm sendo intensificados progressivamente. Para a produção desses adubos a indústria de fertilizantes retira elevadas quantidades de nitrogênio do ar e fosfatos das rochas.
O emprego excessivo de fertilizantes gera um desequilíbrio ecológico. Os agentes decompositores não conseguem reciclá-los na mesma proporção em que são adicionados ao solo. Esse fato gera um excesso de nutrientes no solo, provocando eutrofização, bem como alterações caracterizadas pelo decréscimo de materiais orgânicos e retenção de água.
O uso de praguicidas
Praguicidas ou defensivos agrícolas são substâncias venenosas utilizadas no combate às pragas, organismos considerados nocivos aos seres vivos.
Os principais praguicidas são:
- herbicidas, usados para matar ervas daninhas;
- fungicidas, utilizados no combate de fungos parasitas;
- inseticidas, usados contra insetos; e
- nematócitos, que controlam nematódios parasitas.
Acontece que os defensivos empregados no controle de pragas são muito pouco específicos, destruindo indiferentemente espécies nocivas e úteis. Existem praguicidas extremamente tóxicos, mas instáveis. Eles podem causar danos imediatos, mas não causam poluição a longo prazo. Existem praguicidas menos tóxicos, porém mais estáveis, ou seja, persistentes em ecossistemas, provocando efeitos por muitos anos.
Os praguicidas podem ser transportados a longas distancias, causando danos bem longe das regiões em que foram aplicados. Outro problema reside no acúmulo ao longo das cadeias alimentares. Assim, por exemplo, as minhocas, alimentando-se de grandes quantidades de folhas mortas e ingerindo partículas do solo, acumulam no seu organismo elevadas concentrações de inseticidas clorados; as aves que se alimentam de minhocas, como as galinhas, passam a ingerir grande parte do veneno.
Outro efeito nocivo é que os praguicidas reduzem a biodiversidade das biocenoses.
O controle biológico
O chamado controle biológico consiste no combate às pragas através de seus inimigos naturais, predadores ou parasitas. Neste processo os parasitas, por serem mais específicos, são preferidos em relação aos predadores.





A poluição das águas e do solo

A poluição das águas constitui um dos mais sérios problemas ecológicos da atualidade.
As fontes de poluição da água mais uma vez decorrem, principalmente, da atividade humana; esgotos domésticos e despejos industriais são alguns exemplos.
O lançamento de esgoto nos rios e lagos
O material organico existente no esgoto serve de alimento para as bactérias decompositoras.
Destaca-se que a bactéria é um organismo unicelular que se divide a cada vinte minutos. Devido a essa elevada capacidade reprodutiva, a população de bactérias aeróbias, que utilizam oxigênio para a respiração, aumenta rapidamente, e esse aumento excessivo de bactérias provoca a diminuição da quantidade de oxigênio dissolvido na água. A falta de oxigênio acarreta a morte de outros organismos aquáticos. Sendo organismos maiores, os peixes necessitam de mais oxigênio para a respiração. Por isso, são eles os primeiros organismos a morrer por asfixia. Finalmente, a quantidade de oxigênio se reduz a tal ponto que só as bactérias anaeróbicas podem viver naquele ambiente. Estas não necessitam de oxigênio para a respiração e, além disso, eliminam substâncias como o gás sulfidríco, que tem um cheiro típico, semelhante ao de ovos podres. Daí o odor insuportavel em tais ambientes aquáticos.
Em São Paulo, a maior cidade da América Latina, tal fato é verificado, tristemente, nos seus três principais rios: Tietê, Tamanduateí e Pinheiros. A situação é tão alarmante que tais rios são designados como “esgotos a céu aberto”.
Antes de ser despejado nos rios ou nos mares, o esgoto deve ser tratado, passando por um processo que elimina as substâncias tóxicas e os agentes causadores de doenças.
Eutrofização
Eutrofização é o aumento de nutrientes em meio aquático, acelerando a produtividade primária, ou seja, intensificando o rescimento de álgas. Esse fenômeno pode ser provocado por lançamento de esgotos, resíduos industriais, fertilizantes agrícolas e erosão. É fácil concluir que, em certas proporções, a eutrofização pode ser benéfica ao ecossistema.
Contudo, em excesso acarretará um desequilibrio ecológico, pois provocará o desenvolvimento descontrolado de uma espécie em detrimento das outras. É o fenômeno conhecido como “floração das águas”, que torna reservatórios de águas potáveis, lagos e lagoas imprestáveis para uso.
Floração da água
Em condições favoráveis, as águas de lagos, lagoas etc. ficam ricas em nutrientes minerais (eutrofização). As algas azuis (cianofíceas) proliferam intensamente, sintetizando substâncias complexas que servem para a sua nutrição e para eliminar outras algas que lhes são concorrentes. Desta maneira, o meio fica pobre quanto à diversidade de espécies e rico em indivíduos da mesma espécie, até que, ocorrendo o esgotamento das substâncias nutritivas e o envenenamento do meio a ponto de prejudicar essa única espécie, os individuos morrem.
É o fenômeno da floração da água.
Pode ocorrer com outras álgas (diatomáceas). Ex. Tabelaria fenestrata.
Haverá a decomposição, inicialmente aeróbica, consumindo o O2 dissolvido na água e, posteriormente, o desenvolvimento de bactérias anaeróbicas, levando a vários tipos de fermentação e à eliminação de substâncias malcheirosas.
Poluição por fosfatos e nitratos
Os adubos e fertilizantes usados na agricultura contém grandes concentrações de nitrogênio e fósforo. Esses poluentes orgânicos constituem nutrientes para as plantas aquáticas, especialmente as algas, que transformam a água em algo semelhante a um caldo verde (um fenômeno também chamado de “floração das águas”).
Em alguns casos toda a superfície é recoberta por um “tapete”, formado pelo entrelaçamento de algas filamentosas. Com isso, ocorre a desoxigenação (falta de oxigênio) da água. Pode parecer incoerente, afinal, as algas são seres que produzem oxigênio durante a fotossíntese. Assim, a quantidade de oxigênio deveria aumentar, e não diminuir.
De fato, as algas liberam o oxigênio, mas o tapete superficial que elas formam faz com que boa parte desse gás seja liberado para a atmosfera, sem se dissolver na água. Além do que, a camada superficial de algas dificulta a penetração de luz. Isso impossibilita a fotossíntese nas zonas inferiores, reduzindo a produção de oxigênio e provocando a morte de vegetais. A decomposição dos vegetais mortos aumenta o consumo de oxigênio , agravando ainda mais a desoxigenação das águas.
Poluição por resíduos não-biodegradáveis
Todos os compostos orgânicos são biodegradáveis, ou seja, podem ser decompostos pelas bactérias. Existem, entretanto, alguns compostos orgânicos sintetizados pela indústria que não são biodegradáveis. Tais compostos também podem ser chamados de racalcitrantes ou biologicamente resistentes. Não sendo degradados, tais compostos vão se acumulando na água, atingindo concentrações tão altas que geram sérios riscos aos seres vivos. Dessas substâncias não-biodegradáveis merecem destaque os detergentes, o petróleo e os defensivos agrícolas. Mesmo não sendo providos de ação tóxica acentuada, os detergentes causam prejuízos ao meio ambiente. Destruindo as bactérias, eles impedem a decomposição, fenômeno fundamental para qualquer ambiente. Os fosfatos são encontrados na maior parte dos detergentes e, como já vimos, provocam a eutrofização. A poluição por óleo é feita, principalmente, pelos navios petroleiros, por ocasião da lavagem de seus tanques. O óleo forma, na superfície da água, uma película impermeabilizante que impede a troca de oxigênio e gás carbônico entre a água e a atmosfera. Isso provoca a asfixia dos animais e impossibilita a realização da fotossíntese por parte dos vegetais do plâncton.
Outra forma de poluição através  de resíduos não-biodegradáveis é o caso dos metais pesados – chumbo, alumínio, zinco e mercúrio, entre outros -, que se depositam nos seres vivos, intoxicando-os.
Milhares de peixes morrem nos rios devido à aplicação de substâncias como, por exemplo, sulfato de cobre. Usada como fungicida, tal substância, aplicada às lavouras, atinge os rios, intoxicando os peixes.
Outros metais, como o mercúrio, sofrem efeito acumulativo ao longo das cadeias alimentares. Esse metal, altamente tóxico, é usado na garimpagem de ouro. O cascalho retirado do rio é misturado ao mercúrio. O ouro em pó, existente no cascalho, aglutina-se ao mercúrio. A seguir, a mistura mercúrio-ouro é aquecida, para a separação dos dois metais. Durante o processo, a maior parte do mercúrio evapora; o resto normalmente é despejado nos rios, sendo absorvido pela cadeia alimentar.
Poluição por organismos patogênicos
A água pode ser infectada por organismos patogênicos, existentes nos esgotos. Assim, ela pode conter:
Bactérias – provocam infecções intestinais epidêmicas e endêmicas (febre tifóide, cólera, shigelose, salmonelose, leptospirose etc.).
Vírus – provocam hepatites, infecções nos olhos etc.
Protozoários – responsáveis pelas amebíases e giardíases etc.
Vermes – provocam esquistossomose e outras infestações.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A poluição

Conceito de poluição
Existe, na natureza, um equilíbrio biológico entre todos os seres vivos. Nesse sistema em equilíbrio os organismos produzem substancias que são uteis para outros organismos, e assim sucessivamente.
A poluição vai existir toda vez que os resíduos produzidos pelos organismos não puderem ser absorvidos pelo ecossistema, o que acaba provocando alterações na sobrevivência das espécies.
A poluição pode ser entendida ainda, como qualquer alteração do equilíbrio ecológico existente.
A poluição é essencialmente produzida pelo homem e esta diretamente relacionada com a concentração das populações. Assim, quanto maiores os aglomerados humanos, mais intensa será a poluição.
Os agentes poluentes são os mais variados possíveis e são capazes de alterar a água, o ar, o solo etc.
A poluição do ar
A poluição do ar é feita principalmente por: compostos sulfurosos, nitrogenados e monóxido de carbono.
Compostos sulfurosos
Os compostos sulfurosos são representados principalmente pelo dióxido de enxofre (SO2) e pelo gás sulfídrico (H2S), encontrados em concentrações variáveis no ar das grandes cidades. O dióxido de enxofre é formado principalmente pela combustão dos derivados de petróleo e do carvão mineral.
Esse composto provoca problemas no sistema respiratório e é a causa de bronquites e distúrbios como o enfisema pulmonar. No ar, o dióxido de enxofre pode ser transformado em trióxido de enxofre, que, para  as vias respiratórias, é ainda mais irritante que o primeiro. Os vegetais são mais sensíveis aos óxidos de enxofre; suas folhas amarelecem e, em concentrações maiores, chegam mesmo a morrer.
Compostos nitrogenados
O dióxido de nitrogênio (NO2) é o poluente produzido pelas descargas dos motores de automóveis, especialmente os movidos a óleo diesel e gasolina. Os óxidos de nitrogênio constituem a névoa seca (smog fotoquímico) que se forma sobre as grandes cidades, por ação das radiações solares sobre os gases expelidos pelos veículos automotores. É tóxico para as vias respiratórias, provocando uma grave doença, o enfisema pulmonar. Reduz a fotossíntese nas plantas e danifica a pintura dos carros e  objetos, alterando as tintas.
Monóxido de carbono
O monóxido de carbono é o poluente que aparece em menor quantidade no ar das grandes cidades. Tem origem, principalmente, na combustão do petróleo e do carvão. No sangue humano existe a hemoglobina, um pigmento que, nos pumões, se combina com o oxigênio e o transporta para as células. O monóxido de carbono (CO) pode reagir com a hemoglobina, substituindo o oxigênio; tal fato provoca a morte por asfixia. Muitas pessoas já morreram asfixiadas em garagens fechadas com automóveis em funcionamento. Seriam medidas eficientes, no combate ao problema, a regulagem dos motores e, principalmente, a diminuição do numero de automóveis circulantes.
A chuva ácida
A atividade industrial e o uso de automóveis provocam, através da combustão de carvão mineral, petróleo e derivados, a emissão de poluentes, especialmente os dióxidos de enxofre e nitrogênio. Na atmosfera, esses poluentes em contato com o vapor d’água produzem os ácidos sulfúricos e nítrico, que se precipitam na forma de neve ou chuva.
Essa chuva ou neve contendo ácidos provoca erosão de prédios, monumentos, além da destruição de florestas e, consequentemente, da fauna.
Como a chuva ácida corrói
1.       O dióxido de enxofre resultante da queima de  carvão nas usinas termoelétricas e os óxidos de nitrogênio provenientes dos motores de carros, caminhões e ônibus entram na atmosfera.
2.       Esses compostos são transportados pelo ar, onde sofrem mudanças químicas. Eles voltam à superfície sob a forma de microscópicas partículas de poeira ácida ou misturados à umidade das nuvens, como chuva ácida.
3.       O material ácido concentrado na água mata os organismos vivos ou inibe sua capacidade de reprodução, alterando os ecossistemas.
4.       Os ácidos corroem encanamentos velhos e poluem reservatórios de água potável.
5.       A chuva ácida provoca corrosão em edifícios e monumentos.
6.       Os cientistas acreditam que a chuva ácida pode ser a responsável pelo ressecamento de árvores observado no Canadá e Estados Unidos.
Efeito estufa
O efeito estufa é um fenômeno natural, sem o qual a terra seria inabitável. Em condições normais esse fenômeno mantêm o planeta aquecido. O efeito estufa é provocado por gases, especialmente o gás carbônico (CO2), cujo efeito é comparável ao do vidro das estufas, que deixa entrar os raios de sol, mas impede que o excesso de calor seja irradiado de volta para o espaço. No efeito estufa o vidro é substituído pelos gases, que absorvem a radiação infravermelha. Sem a camada de gases, a radiação infravermelha seria irradiada para o espaço e terra teria uma temperatura de -50°C, ou seja, seria um planeta gelado. A energia solar atinge a terra e é distribuída na superfície. O calor sobe novamente, mas os gases absorvedores do infravermelho refletem parte dessa energia, fazendo-os voltar à superfície. Além do gás carbônico, responsável por 50% do efeito estufa, outros gases desempenham o mesmo papel. Entre eles citam-se os clorofluorcarbono (20%), metano (18%), óxidos de nitrogênio (10%) e outros.
A concentração desses gases na atmosfera está aumentando devido principalmente à queima de combustíveis e de madeira, intensificando a retenção de raios infravermelhos e elevando a temperatura terrestre. Isso pode levar a um aumento de temperatura, da ordem de 2 a 4°C, nos próximos setenta anos.
As conseqüências previstas são catastróficas. Existe o risco de as calotas polares derreterem e ocasionarem um aumento do nível dos mares. Mudará a circulação atmosférica e o regime das chuvas.
A inversão térmica
A inversão térmica é um fenômeno que acontece no frio e agrava a poluição atmosférica. Em condições normais, o solo é aquecido pela radiação solar e, por sua vez, aquece as camadas de ar com que esta em contato. O ar aquecido, pouco denso, sobe para a atmosfera e dispersa os poluentes. No inverno, pode ocorrer um rápido resfriamento do solo e, consequentemente,  do ar.
Em tais condições, o ar frio, que é mais denso, não sobe e retém os poluentes. Nas grandes cidades o fenômeno da inversão térmica pode decretar o estado de emergência, com a proibição do funcionamento de industrias e circulação de automóveis.
A camada de ozônio
O sol produz a chamada radiação ultravioleta, que é perigosa para os seres vivos. O ozônio (O3) é um gás que forma na atmosfera, um filtro natural capaz de impedir a passagem da radiação ultravioleta.
Se a camada de ozônio fosse destruída, a vida na terra estaria seriamente ameaçada.
Entre os principais destruidores da camada de ozônio estão os clorofluorcarbonos (CFC), usados em ciclos de refrigeração e nas embalagens do tipo aerossol.
O CFC passou a ser usado por ser de baixo custo, não-inflamável, de baixa toxicidade e bastante estável, quer dizer, não se decompõem com facilidade, permanecendo como é por mais de 150 anos.
Os CFCs sobem lentamente e alcançam altitudes de até 50 mil metros, é ai que, submetidas às radiações ultravioletas, as moléculas de CFC são quebradas, liberando o átomo de cloro. Este reage com ozônio (O3), transformando-o em oxigênio molecular (O2). Sabe-se que cada átomo de cloro liberado na atmosfera destrói cerca de 100 mil moléculas de ozônio. Em 1985, foi observado por cientistas britânicos trabalhando na Antártida um enorme buraco na camada de ozônio que envolve a terra.
Aeronaves supersônicas, que voam na estratosfera, liberam gases que podem reagir com o ozônio, destruindo-o.
À medida que a camada de ozônio vai sendo destruída, a superfície da terra passa a receber maior quantidade de radiação ultravioleta.
Entre os efeitos dessa radiação aparecem: câncer de pele, catarata, redução de resistência a infecções, redução das colheitas. Trata-se de um dos grandes problemas ecológicos da atualidade, alvo de intensa e justificada campanha em prol de sua preservação, já que a sua destruição, afinal, diz respeito à natureza como um todo.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Solo, agricultura e meio ambiente

1.       O solo
Solo é a parte superior da crosta terrestre resultante da decomposição de rochas e capaz de permitir o crescimento de plantas.
No solo interessa o conhecimento da sua textura, estrutura, composição química, grau de acidez ou alcalinidade.
Textura
Refere-se ao tamanho das partículas que compõem o solo. Assim sendo, podemos classifica-lo em:
Cascalho – diâmetro acima de 2mm
Areia grossa – diâmetro entre 0,2 e 2mm
Areia fina – diâmetro entre 0,02 e 0,2mm
Limo – diâmetro entre 0,002 e 0,02mm
Argila – diâmetro inferior a 0,002mm
Estrutura
É a proporção existente das diversas partículas que compõe o solo e a maneira como estão arranjadas. Assim, um solo arenoso possui maior quantidade de areia; um solo argiloso maior quantidade de argila etc.
Da estrutura do solo dependem algumas qualidades importantes, como a permeabilidade e o arejamento.
Entre as partículas do solo existem espaços que são ocupados pela água e pelo ar. No solo seco os espaços são ocupados pelo ar. Quando chove, a água penetra no solo, os espaços são preenchidos pela água e o ar vai sendo progressivamente eliminado. No solo encharcado a quantidade de ar é pequena. À medida que a água penetra no solo, ocorre dissolução dos íons solúveis, permitindo o seu aproveitamento pelas raízes das plantas.
A retenção de água e íons minerais dpende da superfície das partículas. Assim, num mesmo volume de solo quanto menor a partícula, maior será a superfície.
Dessa forma, os solos arenosos retêm água e nutrientes minerais. Já os solos argilosos e limosos são mais ricos em nutrientes minerais e são capazes de reter água.
A composição química é importante porque dela depende o fornecimento de nutrientes minerais para as plantas. A alcalinidade, a acidez do solo, interfere no tipo de vegetação que é capaz de se desenvolver.
O húmus
Húmus é a matéria orgânica vegetal ou animal, escura, resultante da ação dos microorganismos do solo (fungos e bactérias) que promovem a reciclagem da matéria. O húmus constitui uma fonte contínua de minerais indispensáveis para o crescimento das plantas.
O húmus dá coesão aos solos arenosos e diminui a coesão dos solos argilosos. Facilita a solubilização dos elementos fertilizantes insolúveis e a circulação do ar e da água. Favorece, ainda, a vida dos microorganismos.
O solo deve sempre ter uma certa quantidade de húmus.
Em relação à quantidade de húmus, os solos são classificados em:
Humíferos – quando possuem de 5% a 10% de húmus.
Humosos – quando possuem de 10% a 20% de húmus.
Turfosos – quando possuem mais de 20% de húmus.
A minhoca e a produção de húmus
A criação de minhocas (minhocultura) constitui hoje uma atividade zootécnica muito importante, que tem como objetivos:
- produção de alimento (proteína) para a criação de vários animais (rã, peixes etc);
- produção de húmus (esterco de minhoca).
Atualmente, o húmus de minhoca é produzido a partir da minhoca vermelha da Califórnia. O alimento normalmente usado é o esterco de gado fermentado ou bioestabilizado.
As minhocas alimentam-se de matéria orgânica em decomposição. Assim, o fato de se encontrar um numero elevado de minhocas num determinado local significa que o solo é rico em matéria orgânica e também em nutrientes minerais.
Os nossos solos são, em geral, pobres em matéria orgânica. Isso faz com que as minhocas tenham de ingeriri grandes quantidades de terra para obterem o alimento necessário para a sua sobrevivência. À medida que ingerem a terra, cavam verdadeiras galerias no solo, que permitem a circulação do ar, isto é, garantem a porosidade do solo e a sua fertilidade.
De tudo isso, pode-se concluir que o solo que passa pelo intestino da minhoca ao ser expelido apresenta, em relação ao solo circunvizinho, maiores teores de matéria orgânica e de elementos minerais facilmente assimiláveis pela planta, e também uma rica e diversificada fauna e flora microbiana.
Os elementos minerais do solo
Os nutrientes minerais são indispensáveis para o crescimento sadio das plantas. São absorvidos pelos pêlos absorventes das raízes e utilizados para muitas funções vitais dos vegetais. Os nutrientes minerais são subdivididos em dois grupos: macronutrientes ou macroelementos e micronutrientes ou microelementos.
Macronutrientes – são aqueles requeridos pelos vegetais em maiores quantidades. Entre eles citamos o nitrogênio (N), o fósforo (P), o potássio (K), o cálcio (Ca), o magnésio (Mg) e o enxofre (S).
Micronutrientes – são aqueles de que as plantas necessitam em pequenas quantidades. Entre eles encontram-se o zinco (Zn), o boro (B), o ferro (Fe), o cobre (Cu), o molibdênio (Mo) e o cloro (Cl), entre outros.
A erosão
Erosão é a remoção de partículas do solo das partes mais altas e o seu transporte para as partes mais baixas do terreno ou para o fundo de lagos, lagoas, rios e oceanos.
A erosão é provocada pela ação das águas e dos ventos.
No Brasil, a erosão mais importante é provocada pela ação da água, também chamada erosão hídrica.
A erosão realiza-se se em duas fases: desagregação e transporte.
A desagregação é provocada pelo impacto das gotas de chuva e pela água que escorre na superfície. O impacto direto das gotas de chuva no solo desprotegido, cuja vegetação foi destruída, provoca a desagregação da partícula.
As partículas desagregadas são agora transportadas pelas enxurradas. O transporte depende do tamanho das partículas. Assim, as partículas diminutas de argila e limo são facilmente carregadas pelas águas das enxurradas.
A erosão provocada pelas águas pode ser superficial quando o solo vai sendo carregado lentamente, sem que o problema seja notado. Quando os agricultores percebem a erosão, muitas vezes o solo já está improdutivo.
A erosão pode ocorrer também em forma de sulcos e em voçorocas. Elas ocorrem quando no terreno, em declive, sulcos de valetas são abertos com o transporte do solo. Este tipo de erosão é o que chama mais a atenção dos agricultores, porque torna o solo improdutivo em tempo muito curto.
Como evitar a erosão em solos cultiváveis
No solo coberto com vegetação o impacto da água da chuva é absorvido e ocorre maior infiltração de água no solo, evitando a formação de enxurradas.
As raízes entrelaçadas das plantas seguram mais o solo, dificultando a erosão. A água infiltrada no solo abastece os lençóis subterrâneos, que depois afloram para formar as nascentes (olhos d’água). Como não ocorre a formação de enxurradas, os rios não ficam com seu volume muito aumentado, não ocorrendo, consequentemente, as enchentes nos campos de cultivo e nas cidades.
De tudo isso pode-se concluir que o manejo correto do solo evita a sua destruição.
Existem alguns cuidados importantes que devem ser utilizados para a conservação do solo, entre eles:
- A plantação em terrenos em declive deve ser feita com o emprego de curvas de nível e terraceamento. Esses terrenos devem ser usados para reflorestamento e formação de pastagens. Nunca devem ser usados para culturas anuais (milho, feijão etc.).
- As culturas anuais, que exigem aração anual, devem ser feitas em terrenos planos.
- Nunca deixar o solo nu. Quando se fazem as capinas, as plantas devem ser roçadas, e não arrancadas do solo. Deixar o solo com a cobertura morta (palhada). Dessa maneira, a vegetação morta forma um acolchoado protetor do solo, procurando imitar a natureza.
- Fazer rotação de culturas. Cada tipo de cultura tem exigências diferentes de nutrientes minerais. Na rotação, as culturas alternam-se no mesmo terreno, evitando um desgaste exagerado do solo. Está provado também que a rotação elimina muitas pragas de insetos.
- Uso adequado e controlado das maquinas agrícolas, evitando que o excesso venha a facilitar a erosão.
- Plantio de grama nos taludes das estradas.
A fertilidade do solo
Os sais minerais são indispensáveis para o crescimento das plantas. As plantas retiram os sais do solo para fabricar o seu próprio alimento. O homem colhe os vegetais para seu alimento e o solo vai empobrecendo. Diante disso, como manter o solo fértil?
Existem alguns processos:
- Aplicação de adubos (fertilizantes) fabricados pelo homem. São muito caros e nem sempre dão os resultados esperados.
- A melhor forma é realizar um processo racional para conservar a saúde do solo, aumentar a produtividade e gastar pouco com adubos e venenos. Nesse sentido, são procedimentos a serem tomados:
·         Evitar a monocultura, isto é, o cultivo da mesma espécie de planta.
·         Plantar em linhas alternadas duas ou mais culturas. Ex.: milho e amendoim
·         Fazer rotação de culturas, isto é, alternar as culturas.
·         Fazer adubação verde. Devem-se plantar leguminosas (amendoim, feijão, soja e outras), que são capazes de enriquecer o solo com nitrogênio.
·         Incorporar, no solo, restos mortos de vegetais para a formação do húmus.
As queimadas
As queimadas são utilizadas desde tempos antigos para derrubada das matas e limpeza dos terrenos que serão utilizados para o cultivo e a formação de pastagens. Este método, que muitos agricultores dizem ser mais barato e facilitar a formação de minerais, é altamente prejudicial para os ecossistemas. As queimadas devem ser evitadas por vários motivos:
- provocam a morte dos microorganismos que dão vida ao solo e que permitem a reciclagem da matéria. Nada vive após a queimada; minhoca, bactérias, fungos, todos morrem.
- provocam a perda de muitos minerais, que são levados junto com a fumaça. A fumaça contém gás carbônico e cinzas, que levam os minerais para o ar.
- levam a um desequilíbrio mineral da terra. As plantas cultivadas crescem menos e ficam mais vulneráveis ao ataque de pragas. As colheitas diminuem.
Infelizmente, devido à ignorância e ao desconhecimento desses malefícios, milhares de quilômetros cobertos com florestas são queimados anualmente, no Brasil.
Derrubar as florestas para a prática da agricultura é recomendável?
Não. Os solos são, na verdade, uma mistura de partículas minerais e de húmus. As partículas minerais resultam da decomposição de rochas por ação da água, temperatura etc. o húmus resulta da decomposição da matéria orgânica vegetal e animal, e permite a circulação de ar. Além disso, contem nitrogênio e outros nutrientes minerais essenciais.
Os solos das nossas florestas são muito superficiais e frágeis, abaixo deles existe apenas areia.
Quando se destrói a floresta, as chuvas torrenciais rapidamente lavam o solo, carregando-o para longe e tornando-o muito pobre. As plantas cultivadas crescem muito pouco e são logo destruídas por pragas de insetos. Uma floresta tropical sem as suas árvores deixa de ser um paraíso luxuriante e verde para se transformar em uma região hostil e improdutiva.
As florestas, os rios e a preservação das florestas tropicais
A importância das florestas
Os ecologistas dizem que as florestas são o sustentáculo da vida na terra.
As florestas são importantes porque:
- mantêm o equilíbrio dos gases a atmosfera. Absorvem gás carbônico e eliminam oxigênio.
- estabilizam o clima, equilibrando a temperatura do ar como um verdadeiro “ar condicionado”.
- protegem os rios e o solo.
Fornecem alimento aos animais.
Auxiliam na formação de nuvens.
Proteção das nascentes ou fontes de água
A vegetação perto das nascentes de água nunca pode ser destruída. Veja por que:
- quando chove, as plantas facilitam a infiltração de água o solo.
- a água que penetra no solo encontra rochas impermeáveis.
- a água forma verdadeiros riachos subterrâneos. Esses riachos são os lençóis subterrâneos de água (lençóis freáticos).
- esses riachos subterrâneos afloram na superfície do solo e formam as nascentes ou fontes de água.
- Essas nascentes formam os riachos na superfície do solo, fornecem água para os sítios e fazendas.
A destruição dessa vegetação diminui a infiltração da água no solo, os lençóis freáticos secam, as nascentes e os riachos desaparecem.
As matas das margens dos rios
Ao longo das margens dos rios e riachos encontra-se uma vegetação muito importante. Essa vegetação forma as matas-galerias ou matas-ciliares. Essas matas protegem os rios e riachos e abrigam muitos animais.
Quando o homem elimina essa vegetação, podem ocorrer muitos problemas:
- intensa erosão;
- assoreamento;
- enchentes na época das chuvas;
- desaparecimento dos riachos e rios na estiagem.
O assoreamento
Como foi visto, a erosão arrasta partículas do solo, que acabam se depositando no fundo dos leitos dos rios, riachos, lagos, lagoas e oceanos. O acúmulo de detritos no fundo dificulta o escoamento da água, tornando as lagoas e lagos cada vez mais rasos, até a extinção. O assoreamento provoca ainda grandes enchentes, nos períodos das grandes chuvas. O leito raso do rio não comporta o imenso volume de água, invadindo as margens e alagando os campos e as cidades.
A derrubada das florestas
Atualmente, o manto verde do nosso planeta está rapidamente desaparecendo. Florestas inteiras estão sendo destruídas. O sol incide no solo nu, refletindo a radiação; à noite a temperatura cai vertiginosamente, já que nenhum calor fica retido. O ar e o solo ficam extremamente secos; as chuvas ficam cada vez mais escassas e, quando chove, o solo é rapidamente lavado e arrastado para longe. Vemos com isso que, à medida que a vegetação é destruída, o clima muda e o solo sofre erosão. Tais condições são inimigas da vida.
O desmatamento provoca a formação de desertos?
A resposta é sim. A eliminação da floresta deixa o ar e o solo secos. As chuvas diminuem e aparecem os desertos. Quando a floresta está presente, as árvores perdem água por evaporação. Este vapor auxilia na formação de nuvens que provoca as chuvas.