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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Classe amphibia

do grego amphi = ambas
bios = vida
Ordem ANURA - rãs, sapos e pererecas
Ordem URODELA ou CAUDATA - salamandras
Ordem GYMNOPHIONA (APODA) - cobras-cegas

CARACTERÍSTICAS GERAIS DO ANFÍBIOS ATUAIS (Lissamphibia = anfíbios de pele nua)
1) Ectotérmicos (temperatura corpórea varia com o ambiente).
2) Coração com três câmaras (2 átrios e 1 ventrículo)
3) Respiração branquial (larvas e algumas salamandras pedomórficas), pulmonar e cutânea.
4*) Estrutura glandular da pele. Os Lissamphibia apresentam a pele sem escamas (presentes em alguns ápodos) e com dois tipos de glândulas: granulares (produzem veneno) e mucosas (umedecem a pele e facilitam as trocas gasosas através da respiração cutânea).
5) Hábitats. Aquáticos (água doce) ou terrestres.
6) Alimentação. Os adultos são basicamente carnívoros e as larvas, quando presentes, podem ser detritívoras, carnívoras e herbívoras.
7*) Dentes pedicelados. Quase todos os anfíbios possuem dentes divididos em uma parte basal (pedicelo) e uma parte distal (coroa). Ambas as partes são compostas por dentina e estão separadas por uma estreita faixa de dentina não calcificada ou tecido conjuntivo fibroso.
8*) Complexo opérculo-plectro. A maioria dos anfíbios apresenta dois óssos envolvidos na transmissão de sons para o ouvido interno: a columela (plectro) e o opérculo.
9*) Papila amphibiorum. Todos os anfíbios possuem uma área no ouvido interno sensível a sinais acústicos de frequências abaixo de 1000 Hz.
10) Dois côndilos occipitais (Côndilo = articulação do crânio com a 1ª vértebra da coluna).
11*) Bastonetes verdes. Os Urodelos e os Anuros apresentam um tipo especial de células na retina de função desconhecida. Estas células não são encontradas em Gymnophiona, mas estes animais tem olhos extremamente reduzidos e estas células podem ter sido perdidas.
12*) Presença do músculo levator bulbi, responsável pelo erguimento dos olhos, tornando-os salientes.
13*) Corpos gordurosos associados às gônadas, provavelmente utilizados como reserva de energia para períodos de estiagem ou inverno.
14*) Deglutição auxiliada pela entrada dos globos oculares na cavidade bucal

* CARACTERÍSTICAS EXCLUSIVAS DE AMPHIBIA
Ordem Gymnophiona (Apoda)
- Nomes populares: Cobra-cega, cobra-de duas-cabeças, cecílias. - Cerca de 170 espécies conhecidas nos ambientes pantropicais.
- No Brasil são registradas pouco mais de 30 espécies.
- Apresentam o corpo alongado, geralmente segmentado por dobras na pele em forma de anéis.
- Ausência de membros locomotores e cintura; cauda, quando presente, extremamente reduzida (3-4 vértebras).
- O crânio é compacto e maciço com fusão de vários ossos (adaptação para cavar galerias: vida fossória).
- Os olhos são pequenos e recobertos por pele ou ossos do crânio.
- Algumas espécies podem apresentar escamas dérmicas localizadas nos anéis corporais.
- Hábito escavador (fossório) ou aquático (podem escavar no lodo ou no solo).
- Apresentam um par de tentáculos sensoriais protráteis entre o olho e a narina.
- Os machos apresentam um órgão copulatório protrusível (phallodeum). A fecundação é interna.
- Ovíparos ou vivíparos. Em ambos os casos podem ocorrer desenvolvimento direto ou larvas aquáticas.
- O pulmão esquerdo geralmente é rudimentar.
Três Famílias são encontradas no Brasil:
- Caeciliidae
- Rhinatrematidae
- Typhlonectidae

Ordem Caudata (Urodela)
- Nomes populares: Salamandras, tritões, axolotle
- Cerca de 415 espécies conhecidas, com distribuição principal na América do Norte e nordeste da Eurásia, uma única Família (Plethodontidae) ocorre na América Central e do Sul.
- No Brasil é registrada apenas uma espécie Bolitoglossa altamazonica (Plethodontidae).
- Apresentam o corpo alongado geralmente com 4 membros curtos (algumas espécies tem perda secundária dos membros traseiros) e cauda longa.
- Locomoção pouco especializada: movimentos ondulatórios do corpo somado ao movimento dos membros.
- O crânio é reduzido com perdas de muitos óssos.
- Muitas espécies apresentam pedomorfose (retenção de caracteres larvais em adultos como: ausência de
pálpebras, presença de brânquias externas e linha lateral).
- Hábito aquático, terrestre e cavernícola.
- A fertilização é externa ou interna por meio de espermatóforo (na maioria das espécies).
- A maioria das espécies é ovípara, mas algumas são ovovivíparas ou vivíparas. Apresentam desenvolvimento direto, ou por meio de larvas aquáticas ou terrestres.
- Algumas espécies de Plethodontidae não apresentam pulmões (respiração apenas cutânea).

Ordem Anura
- Nomes populares: Sapos, rãs e pererecas
- Cerca de 4100 espécies conhecidas. São cosmopolitas, com exceção das regiões árticas e antárticas, algumas ilhas oceânicas e desertos extremamente xéricos.
- No Brasil são registradas pouco mais de 500 espécies, considerada a maior diversidade de espécies de anfíbios do mundo, juntamente com a Colômbia.
- Apresentam o corpo curto, com extrema redução de vértebras pré-sacrais (5-9) e ausência de cauda.
- Os membros posteriores são, em geral, alongados e adaptados para o salto.
- O crânio é reduzido com perda de vários óssos. Os dentes estão ausentes no dentário (osso da mandíbula).
- Os machos produzem uma variedade de sons (vocalização ou coaxo), normalmente com função reprodutiva.
- A fertilização é geralmente externa e a maioria das espécies é ovípara, porém a ovoviviparidade e viviparidade estão presentes em alguns gêneros.
- Hábitos aquáticos e terrestres, com extensa ocupação de nichos terrestres.

Diferenças entre sapo, rã e perereca (denominação popular):
sapos - Glândula de veneno (paratóide) logo atrás dos olhos, pele verrugosa, pés com dedos curtos e presença de membrana interdigital pouco desenvolvida.
rãs - Apresentam linhas dorsais que correspondem a pregas glandulares, pele lisa, pés com dedos longos e membrana interdigital pouco desenvolvida.
pererecas - Pele lisa, dedos curtos com discos adesivos e membrana interdigital desenvolvida.

CLASSE AMPHIBIA
TEGUMENTO
A pele dos anfíbios é nua; sem escamas (presentes em alguns ápodos), pêlos ou penas para proteção. Possui apenas glândulas (mucosa e granular). Podem ser encontrados também alguns receptores de calor, frio, pressão e tatéis.
A pele é úmida, permeável e ricamente vascularizada para facilitar a respiração e a osmoregulação.

SISTEMA ESQUELÉTICO
1) Crânio: Os anfíbios têm um crânio mais largo e achatado com órbitas maiores que as existentes em peixes, possuindo também um menor número de ossos dérmicos representados principalmente por um par de pré-maxilares, maxilares, nasais, frontais, parientais e esquamosais.
Não existe palato secundário em anfíbios, as coanas se abrem na região anterior do teto da boca.
Existe um número reduzido de ossos na mandíbula em alguns anfíbios, podendo ou não haver dentes inseridos nela.
O crânio aloja o Sistema Nervoso Central e os órgãos dos sentidos da visão, olfação, audição e equilíbrio.
O Crânio diverge em forma nas várias ordens, normalmente associado ao modo de vida de cada um. Nos ápodos (gymnophiona) o crânio é compacto e sólido com fusão de vários óssos (adaptação à vida fossorial); os anura (na sua maioria) apresentam um crânio leve, pouco ossificado, com redução e perda de vários ossos (hábito saltatorial); os caudata (urodela) apresentam crânios intermediários e são menos especializados quanto a locomoção.
Nos anfíbios pela primeira vez aparece o esterno; mas, as costelas ainda são pouco desenvolvidas e em nenhum caso encontram-se em contato com o esterno (na maioria dos anuros as costelas estão ausentes). A maioria dos anfíbios apresenta dois pares de membros, nos anteriores existem quatro dedos e nos posteriores, cinco artelhos (= dedos dos pés). A cintura pélvica liga-se ao esqueleto axial por intermédio de uma vértebra sacral única, exceto em Apoda.

Anuros ® sistema esquelético e muscular especializado para o salto;

Ápodos ® sistema esquelético e muscular especializado para escavação;

Urodelos ® Sistema esquelético e muscular pouco especializado, adaptado para caminhar.

APARELHO DIGESTÓRIO
O aparelho digestório em anfíbios é formado pela cavidade bucal, faringe, esôfago, estômago, intestino e glândulas associadas (pâncreas e fígado).
A cavidade bucal pode possuir dentes mandibulares, maxilares ou vomerianos (localizados no céu da boca), que são importantes na defesa, captura e ingestão de alimentos. A língua possui glândulas mucosas e botões gustativos. Nos sapos rãs e pererecas a língua é presa anteriormente e livre posteriormente, sendo projetada para fora da boca para capturar o alimento (geralmente invertebrados vivos). A superfície pegajosa da língua, graças à secreção de um muco viscoso, ajuda a aderir à presa. A língua está ausente nos anuros da Família Pipidae.
A faringe é formada por um epitélio ciliado com células secretoras de muco e amilase. Nela encontra-se a glote, que controla a entrada de substâncias para o esôfago.
O esôfago é igualmente formado por epitélio ciliado com células secretoras de muco e pespsinogêneo. No esôfago encontramos um esfíncter muscular em cada extremidade que impede o refluxo do alimento.
O estômago é curto e largo, o epitélio não é ciliado mas há produção de muco. Na porção final existe um esfíncter pilórico, separando-o do intestino. No piloro o pepsinogêneo torna-se pepsina (devido a diminuição do pH) que atua na degradação das proteínas. No estômago há produção de HCl (ácido clorídrico) que torna o pH baixo o que auxilia na morte da presa, inibe bactérias e descalcifica os ossos.
O intestino é curto (são animais carnívoros) com inúmeras dobras internas (microvilosidades), que aumentam a área de absorção do alimento, terminando numa cloaca.
As glândulas associadas atuam principalmente na produção de substâncias que serão lançadas no tubo digestivo: o fígado com a bile e o pâncreas com as enzimas: tripsina, lipase e amilase.

SISTEMA RESPIRATÓRIO
Os anfíbios passam, na maioria dos casos, por uma fase aquática e uma fase terrestre, tendo que adaptar sua respiração ao ambiente em que se encontram.
Durante a fase aquática, geralmente a respiração é por brânquias (nos girinos e em algumas salamandras pedomórficas), que são estruturas filamentosas, externas ou internas, protegidas por um opérculo; através da pele (cutânea) ou por pulmões (naquelas espécies que são totalmente aquáticas, ex. família PIPIDAE). Em girinos (anuros) as brânquias são externas apenas nas primeiras fases do desenvolvimento, depois tornam-se internas. Alguns girinos desenvolvem pulmões antes da metamorfose.
Na fase terrestre a respiração é pulmonar e cutânea. Algumas salamandras não apresentam pulmões e a respiração ocorre apenas através da pele.
Os pulmões nos anfíbios atuais são duplos e pouco desenvolvidos, consistindo basicamente numa estrutura saculiforme hialina (transparente) com paredes lisas (formas aquáticas) ou septadas (aumenta a superfície de trocas gasosas, nas formas mais terrestres). Os pulmões dos anfíbios são pouco eficientes para as trocas gasosas. O ar entra na cavidade bucal pela ação muscular da região gular (assoalho da boca), que cria diferênças de pressão provocando a entrada e saída do ar através das coanas. O ar é bombeado para os pulmões pela deglutição.
Os pulmões dos anfíbios abrem-se diretamente a partir da traquéia. Nos anuros a parte superior da traquéia é desenvolvida formando a laringe, onde localizam-se as cordas vocais. O coaxo do sapo é produzido pela passagem do ar pelas cordas vocais, sendo amplificado no saco vocal do macho.

SISTEMA CIRCULATÓRIO
Nos anfibios a circulação é dupla e incompleta; dupla porque o sangue circula duas vezes pelo coração e incompleta porque ocorre mistura de sangue venoso e arterial no coração. O coração dos anfíbios apresenta três câmaras (2 átrios e 1 ventrículo) e recebe tanto sangue oxigenado dos pulmões como não-oxigenado do corpo.
A fim de impedir a mistura excessiva dos dois tipos de sangue, desenvolveu-se um sistema de circulação dupla; circulação pulmonar/cutânea e circulação sistêmica. Isto foi conseguido pela formação de um septo inter-atrial e pela divisão do cone arterioso em vasos sistêmicos e pulmonares. O sangue proveniente do corpo entra no átrio direito, passa para o ventrículo, onde é bombeado para os pulmões. O sangue oxigenado entra na átrio esquerdo pelas veias pulmonares, passa para o ventrículo onde é bombeado para a circulação sistêmica.

SISTEMA NERVOSO E ORGÃOS DO SENTIDO
® Basicamente o Sistema Nervoso tem a função de recepção, condução e a integração dos estímulos e a coordenação das respostas induzidas e espontâneas;
® É dividido em Sistema Nervoso Central (SNC) e Sistema Nervoso Periférico

Órgãos dos Sentidos
A maioria dos orgãos dos sentidos localiza-se na cabeça:
1) Gustação: Os botões gustativos estão localizados na língua, céu da boca e na mucosa que recobre a mandíbula, sendo muito importantes na alimentação.
2) Olfação: Ocorre através do epitélio olfativo localizado nas vias respiratórias; uma estrutura que aparece pela 1ª vez para olfação em anfíbios é o orgão de Jacobson (ou órgão vomeronasal), que é uma evaginação da passagem nasal revestido por epitélio ciliado. A olfação é importante na alimentação e reprodução em anfíbios.
3) Visão: Os olhos dos anfíbios são basicamente iguais aos de outros vertebrados, sendo um pouco mais desenvolvidos que nos peixes devido a vida terrestre. Surgem as pálpebras; as glândulas lacrimais e a membrana nictitante. O cristalino é acomodado para uma visão à distancia, podendo ser deslocado para frente para focar um objeto próximo. A abertura pupilar pode ser vertical ou horizontal. As pálpebras são bem desenvolvidas em espécies terrestres e rudimentares nas espécies aquáticas. O corpo pineal funciona como fotorreceptor, sendo sensível a comprimentos de onda e a intensidade da luz.
4) Audição: O aparelho auditivo é muito variável entre os anfíbios. A maioria dos Anura tem um ouvido médio ( caracterizado pela columela e opérculo) e uma membrana timpânica externa. Os sons são transmitidos da membrana timpânica para o ouvido interno através da columela. A cavidade timpânica comunica-se com a faringe pela trompa de Eustaquio, o que permite igualar a pressão externa e a pressão interna à membrana timpânica. Da região ventral do sáculo do ouvido interno, existe uma evaginação ventral, chamada lagena que acredita-se estar relacionada com a recepção de vibrações sonoras provenientes do substrato ou propagadas pelo ar.
5) Na pele: A linha lateral está presente em larvas e adultos aquáticos. Localizam-se na cabeça e no corpo. Os órgãos da linha lateral são sensíveis à corrente de água e provavelmente à pressão. Na pele ainda são encontrados receptores de calor, frio, táteis e de pressão.

SISTEMA UROGENITAL
O aparelho excretor e genital estão associados nos anfíbios assim como em todos os vertebrados, no entanto são de origens embriológicas diferentes.
® Rins: Os anfíbios apresentam um par de rins, que são responsáveis tanto para excreção de uréia ou ácido úrico como para a osmorregulação do corpo do animal.
Em Gymnophiona os rins são opistonéfricos (parte anterior, média e posterior persistem no adulto); enquanto que em Anura e Urodela os rins são mesonéfricos (a parte anterior do rim larval é perdida).

REPRODUÇÃO
Em Apoda (=Gymnophiona; cobras-cegas) a fertilização é interna e o macho apresenta orgão copulador. As espécies podem ser ovíparas ou vivíparas. Na espécies ovíparas é freqüente a vigia maternal, ou seja, a fêmea permanece próxima aos seus ovos, protegendo-os.
Neste caso os ovos são geralmente terrestres. No caso das espécies vivíparas, os embriões permanecem no útero materno (= porção dilatada e especializada do oviduto) e nutrem-se de vitelo nas primeiras fases de desenvolvimento; quando o vitelo se esgota eles passam a raspar as paredes do útero com dentes especializados, estimulando a secreção de um leite uterino, bem como ingerindo células da parede do útero, que são arrancadas pelos dentes especializados. A respiração e excreção dos embriões no útero são feitas pelas brânquias transformadas, que ficam em contato com a parede vascularizada do útero.
Em Urodela (salamandras) a fertilização geralmente é interna, mas o macho não apresenta orgão copulador; apresenta espermatóforos. Apresentam comportamento de corte por toques mútuos, pela visão (posturas e movimentos estereotipados) e pelo olfato (há liberação de substâncias químicas exicitantes, através de glândulas especiais), o que auxilia no reconhecimento específico, isolamento reprodutivo e sincronia reprodutiva. O local de oviposição geralmente é na água, ocorrendo a eclosão de larvas parecidas a girinos; em alguns casos a oviposição ocorre na terra ou há viviparidade.
A reprodução em Anura (sapos, rãs e pererecas) é mais bem estudada e diversos aspectos podem ser detalhados como se segue:
1) Modos de reprodução (locais de desova e desenvolvimento larval). Os anuros, juntamente com os peixes, são o grupo de vertebrados com maior diversificação de modos reprodutivos. Mais de 30 possibilidades podem ser reconhecidas. Exemplos de locais de reprodução de anuros:
- Poças temporárias;
- lagoas e brejos (permanentes);
- remansos de rios e riachos;
- riachos de corredeira;
- cachoeiras;
- filete de água em paredão rochoso;
- água acumulada em troncos e bromélias;
- ninhos construídos fora d'água (ninhos de barro, espuma, folhas);
- serrapilheira (folhas mortas do chão da mata);
- incubação no corpo de um dos pais (dorso, saco vocal, útero, estômago).
2) Epóca do ano em que ocorre a reprodução:
- Maioria na estação chuvosa;
- algumas espécies o ano todo;
- poucas espécies na estação seca.
3) Período do dia em que ocorre a reprodução:
- Maioria das espécies é noturna;
- algumas são diurnas;
- poucas o dia todo (24 horas).
4) Disponibilidade de água e a reprodução
-A maioria das espécies põe ovos na água, os quais se desenvolvem em girinos.
-Geralmente a estação chuvosa é quente, ocorrendo grande proliferação de algas, que são utilizadas na alimentação de um grande número de espécies de girinos. A maioria das espécies neotropicais de anfíbios se reproduz na estação chuvosa, pois há água e umidade elevadas, bem como temperaturas elevadas, que permitem grande atividade em animais ectotérmicos.
5) Padrões temporais de reprodução
A) Explosivo:
-Reprodução em curto período de tempo; alguns dias ou poucas semanas;
-geralmente após chuvas em poças temporárias;
-ocorre em espécies oportunistas.
B) Prolongado:
-Reprodução durante vários meses ou todo o ano;
-geralmente espécies de mata;
-é freqüente em espécies mais especializadas.
Há um gradiente entre os dois padrões temporais de reprodução e a maioria das espécies pode ser classificada como intermediária entre os padrões de reprodução explosivo e prolongado.
6) Comportamentos reprodutivos:
a) Vocalizações – os dois tipos mais comuns são:
-Vocalização de Anúncio (é a vocalização mais comumente emitida pelo anuro) – serve tanto para atrair a fêmea como repelir outros machos. A importância da vocalização de anúncio está no reconhecimento específico e no isolamento reprodutivo; além disso é usada como ferramenta na taxonomia das espécies.
-VocalizaçãoTerritorial – serve para repelir outros machos. É uma vocalização mais agressiva que a de anúncio.
Existem algumas poucas espécies de anuros que são mudas e outras poucas nas quais a fêmea não é muda, podendo vocalizar.
b) Lutas territoriais: geralmente entre machos que disputam território reprodutivo. Estes territórios são áreas de uso exclusivo de um determinado macho e possibilitam o cortejamento de fêmeas sem interferência de machos vizinhos. Em alguns casos o território tem outras funções (áreas de abrigo, alimentação, cuidado à prole).
c) Tipos básicos de amplexo (abraço reprodutivo): inguinal ou axilar.
O amplexo é basicamente o abraço dado pelo macho na fêmea, momentos antes da oviposição. O amplexo permite ao macho assegurar uma fêmea para a reprodução. Além disso o amplexo serve para estimular o par e sincronizar a liberação dos gametas. Na maioria das espécies de anuros a fertilização é externa.
Em algumas poucas espécies não há amplexo; a fêmea deposita os óvulos e o macho os banha com espermatozóides, sem abraçar a fêmea. Em pouquíssimas espécies ocorre fertilização interna.
d) Estratégias reprodutivas empregadas pelos machos:
Principal -Macho vocalizador – O macho vocaliza e atrai fêmeas; cabe à fêmea selecionar os machos
Através da vocalização.
-Procura ativa por fêmeas – O macho tenta entrar em amplexo com indivíduos que estejam se deslocando pelo ambiente.
-Macho deslocador - Um macho tenta retirar outro que já se encontra em amplexo, tomando-lhe a fêmea.
Alternativas -Macho satélite – Um macho mais fraco (geralmente perdedor de uma interação territorial) permanece próximo a um macho territorial (=vocalizador). Quando aparece uma fêmea, atraída pelo macho vocalizador, o satélite tenta roubá-la do macho territorial (parasitismo sexual).
Outra possibilidade do comportamento satélite é que o macho mais fraco (perdedor de interação territorial) permanece próximo a um macho territorial (=vocalizador) esperando por disponibilidade de território.
7) Dimorfismo Sexual - pode ser observado por diferenças no tamanho (a fêmea é maior na maioria das espécies, mas existem exceções onde o macho é maior), e na coloração, presença de saco vocal do macho, presença de espinhos e/ou calos nupciais nos machos, diferenças no desenvolvimento da palmatura, presença de glândulas em um dos sexos e pela hipertrofia dos membros anteriores dos machos.
8) Mecanismos de isolamento reprodutivo: São importantes, pois evitam a fusão de duas ou mais espécies, mantendo-as adaptadas aos seus ambientes.
Tipos de mecanismos de isolamento reprodutivo:
- pré-zigóticos (evita perda de gametas):
- vocalização de anúncio (normalmente cada espécie tem uma vocalização diferente das demais);
- horário de reprodução;
- sítio de reprodução;
- estação reprodutiva;
- diferenças morfológicas;
- pós-zigóticos (dificultam a sobrevivência ou a reprodução do híbrido):
- incompatibilidade genética – o zigoto morre
- inviabilidade do híbrido - o híbrido não atinge a idade adulta
- esterilidade do híbrido

Problemas enfrentados na conquista dos ambientes terrestres pelos vertebrados

1) Sustentação: - O peso de um animal aquático é parcialmente suportado pela água, assim na terra o animal é mais pesado.
- Os membros precisam ser fortes para poder sustentar o peso do animal.
- Todo o esqueleto precisou ser mais sólido.

2) Dessecação: - No ambiente terrestre a perda de água é um sério problema.
- Os anfíbios são o primeiro grupo com glândulas lacrimais e pálpebras.
- Alguns anfíbios apresentam glândulas na pele que secretam substâncias (muco) que reduzem a perda de água por evaporação. Outros vertebrados provavelmente evoluíram no sentido de queratinizar suas escamas com o mesmo propósito (ex. serpentes, lagartos, crocodilianos, etc.).

3) Órgãos sensoriais: - O mundo sensorial de um animal aquático é diferente de um animal terrestre. O som, a luz, o odor, etc, são percebidos de forma diferente na água e na terra. Os vertebrados tiveram que se adaptar a este novo mundo sensorial.

4) Respiração: Embora a respiração pulmonar supostamente já fosse uma característica dos sarcopterígeos, a respiração no ambiente terrestre enfrentou modificações no sentido de manter os animais mais independentes da água. Nos anfíbios atuais a respiração pulmonar foi auxiliada com respiração branquial (nas larvas) e cutânea. Em outros vertebrados os pulmões se especializaram para poder garantir maior eficiência nas trocas gasosas.

5) Alimentação: Para tornar eficiente a alimentação no meio terrestre algumas modificações foram importantes, como as especializações nos órgãos sensoriais (já mencionadas) para a percepção da presa; o aumento de glândulas salivares para umedecer o alimento agora seco; o alongamento do crânio proporcionando o aumento da cavidade bucal e o surgimento de um “pescoço”, através do desligamento da cintura peitoral da base do crânio, facilitaram a captura do alimento.

A Origem dos Tetrápodes:

A origem dos primeiros tetrápodes é ainda hoje assunto de muita polêmica e de debates efusivos. O fóssil mais antigo conhecido (Ichthyostega) data do Devoniano Médio e Superior (± 350 milhões de anos atrás), encontrado na Groenlândia e Austrália. Embora haja um consenso que a origem dos vertebrados tetrápodes tenha ocorrido a partir dos peixes Sarcopterygii, não há acordo sobre qual o grupo sarcopterígeo seria o “grupo-irmão” dos tetrápodes. Há autores que defendem a origem dos Tetrápodes a partir de um ancestral comum com os peixes pulmonados (Dipnoi). Outros acreditam que os tetrápodes tenham se originado a partir de algum ancestral com os peixes Osteolepiformes (Rhipidistia). Esta última hipótese tem ganhado força em trabalhos mais recentes (para discussão ver Pough et. al.1993. pg. 315-321).
Evidências de relacionamento entre os peixes Osteolepiformes e os primeiros vertebrados terrestres:
1) Osteológicas: a forma do crânio e dos ossos dos membros dos Osteolepiformes e dos tetrápodes são muito semelhantes.
2) Estrutura dos dentes: tanto os Osteolepiformes quanto os primeiros tetrápodes apresentavam dentes fortes e agudos que, em corte transversal, mostravam-se com invaginações complexas da parede da polpa (padrão labiríntico).
3) Provável presença de pulmões: a presença de pulmões (ou derivados destes) ocorre em todos os grupos relacionados como os Dipnoi; Actinistia e Amphibia.
4) Semelhança dos peixes Osteolepiformes com Ichthyostega ( alguns autores não consideram este animal dentro do táxon TETRAPODA).

Pré-adaptações dos Osteolepiformes à ocupação do ambiente terrestre:
- Nadadeiras carnosas com músculos fortes e sustentadas por esqueleto ósseo. Imagina-se que estas nadadeiras serviam como membros locomotores que permitiria ao animal vagar no fundo de lagos ou estuários de água estagnada, ou mesmo para deslocarem-se de um lago seco em busca de outro ainda com água.
- A provável existência de pulmões permitiria a estes animais ocuparem os ambientes alagados e quentes (áreas brejosas) com baixo nível de oxigênio, ou mesmo deslocarem-se de uma lagoa para outra durante uma estiagem.

Vantagens da vida na Terra
Embora os Peixes Osteolepiformes apresentassem características pré-adaptativas para a ocupação do ambiente terrestre, estas pré-adapatações não explicam porque um animal de características aquáticas teria dado este passo. O que teria levado a evolução deste grupo no sentido de sair de um meio ao qual já estava adaptado, para invadir um meio totalmente diferente?
Acredita-se que no Devoniano os ambientes aquáticos estavam repletos de diferentes espécies de peixes, de todos os níveis tróficos conhecidos. Assim a competição e predação teriam exercido forte pressão sobre os Osteolepiformes conduzindo-os a um ambiente repleto de novos recursos a serem explorados, praticamente sem competição e sem predadores.

Transição água-terra e a origem dos vertebrados terrestres

No final do Siluriano e início do Devoniano (± 408 m.a.) houve uma radiação explosiva de peixes, os quais passaram a ocupar praticamente todos os ambientes aquáticos conhecidos. Neste período as terras eram mais altas e o clima nas regiões próximas ao Equador era tropical e úmido.
Bacias de água doce já haviam se desenvolvido em adição aos mares rasos, formando áreas brejosas e pantanosas, e a vegetação (abundante nos hábitats de águas rasas) já havia ocupado os ambientes terrestres. A partir do Devoniano médio as primeiras florestas já haviam se desenvolvido e os primeiros artrópodes (crustáceos, insetos, diplópodos, aracnídeos, etc.) já haviam invadido estes ambientes, tornando-se abundantes durante o Devoniano Superior (± 350 milhões). Neste cenário surgiram os primeiros tetrápodes (= vertebrados terrestres com quatro membros e dígitos).

Classe osteichthyes (peixes ósseos)

Subclasse Sarcopterygii (peixes com nadadeiras carnosas)
Superordem Dipnoi (peixes pulmonados) - 6 espécies
Superordem Crossopterygii (peixes com nadadeiras lobadas)
Ordem Rhipidistia=
Ordem Actinistia- 1 espécie (Latimeria chalumnae)
Subclasse Actinopterygii (peixes com nadadeiras raiadas)
Infraclasse Chondrostei (peixes ósseos com esqueleto cartilaginoso) - 25 espécies.
Exemplos:
esturjão, peixeespátula.
Infraclasse Neopterygii
Serie Holostei- 8 espécies. Exemplos: Amia, agulhão.
Serie Teleostei - mais de 20 mil espécies. Exemplos: enguias, bagres, cascudos, atum, sardinha, lambari, cavalo-marinho, etc.)

Características Gerais dos Peixes Ósseos:
-Ectotérmicos.
-Maior grupo de vertebrados (cerca de 24 mil espécies conhecidas, mas deve haver um número muito grande de espécies ainda não descritas).
-O grupo é considerado como de grande sucesso evolutivo, o que é confirmado pelo grande número de espécies atuais.
-Habitam praticamente todos os tipos de águas: mares, rios, lagos, poças d’água, corpos aquáticos no interior de cavernas ou no subsolo; ocorrem desde as fossas oceânicas até as montanhas.
-Corpo freqüentemente curto e comprimido lateralmente, sendo geralmente mais hidrodinâmicos que os Chondrichthyes (no entanto, há muitas exceções).
-Bexiga natatória (origina-se como um divertículo do esôfago). A bexiga natatória é considerada um órgão derivado dos pulmões dos peixes primitivos. A bexiga natatória apresenta diversas funções, dependendo do grupo ou espécie de peixe analisada. Talvez a sua função original tenha sido a de um órgão hidrostático, regulando a posição do peixe na coluna d’água pela liberação ou absorção de gases no interior do órgão. Esta função é a mais difundida nos diferentes grupos de peixes ósseos. No entanto, outras funções importantes também são desempenhadas pela bexiga natatória: órgão respiratório, receptor de sons, amplificador de sons. Certos grupos de peixes perderam secundariamente esta estrutura; este é o caso de diversos peixes de fundo, que não mais precisam regular sua posição na coluna d’água.
-Boca protrátil. Uma boca que se projeta adiante do corpo é observada em muitas espécies mais avançadas de peixes ósseos. A boca protrátil é considerada o aparelho bucal mais complexo dos vertebrados. Corresponde a um conjunto de ossos articulados, movidos por um conjunto de músculos.
-Respiram geralmente por brânquias, mas algumas espécies podem respirar pelo trato digestivo (e.g., boca, intestino), por pulmões, tegumento.
Nadadeiras:
A nadadeira caudal é, na grande maioria das vezes, do tipo homocerca, mas há espécies com nadadeiras do tipo dificerca e heterocerca. A nadadeira homocerca, ao contrário da heterocerca, apresenta simetria bilateral externa. No entanto, internamente a coluna vertebral diverge para cima, penetrando no lobo superior da nadadeira.
Dentre as inúmeras funções desempenhadas pelas nadadeiras, podemos destacar as seguintes: Natação (atuando no impulso, manobras e equilíbrio), andar (no fundo dos mares, rios, lagos ou na terra), planar (peixe-voador), reprodução (nadadeiras coloridas com função de defesa territorial; sinalização do estado reprodutivo às fêmeas; órgão copulador), produção de sons, defesa (espinhos), aderir como ventosa, função sensorial (tátil, quimiorrecepção), pegar alimento, funcionar como isca para atrair presas.
Alimentação:
Os hábitos alimentares dos peixes ósseos são muito variáveis, dependendo da espécie analisada. Podem ser: -Herbívoros; trituradores (dentes achatados)
-carnívoros; laceradores (dentes cortantes)
tragadores (boca grande)
-onívoros; de brânquias,
-limpadores do corpo;
-filtradores de lodo ou plâncton (podem ter rastros branquiais desenvolvidos);
lepidófagos
-parasitas comedores de nadadeiras
comedores de muco
parasitas de brânquias
comedores de brânquias.
Tegumento:
Epiderme delgada sobre uma derme mais grossa. A epiderme possui glândulas mucosas. A derme possui fibras conjuntivas, musculares, nervos, cromatóforos e pode possuir escamas (peixes de escama) ou não (peixes de couro).
Escamas são placas ósseas de origem dérmica, geralmente delgadas e imbricadas e recobertas pela epiderme. As escamas são homólogas à armadura presente nos peixes placodermos. Com o surgimento das maxilas neste grupo de peixes houve, no curso da evolução dos peixes ósseos e cartilaginosos, uma redução desta armadura defensiva e um concomitante aumento no controle e na eficiência de natação.

Reprodução 

-Comumente a fêmea libera óvulos que são fecundados pelo macho (fecundação externa); geralmente os sexos são separados. No entanto, pode haver fecundação interna, hermafroditismo e reversão sexual em algumas espécies.
-A temporada reprodutiva pode ser estacional ou ao longo do ano.
-O número de ovos produzidos varia de milhares, quando não há cuidado parental, até um pequeno número, quando há proteção da prole pelos pais.
-Os peixes ósseos podem ser ovíparos (mais comum), ovovivíparos e vivíparos (um caso peculiar é o cavalo-marinho).
Dentre as espécies ovíparas algumas simplesmente liberam os ovos para serem carregados pela correnteza, não conferindo cuidado parental. Outras espécies utilizam locais específicos para a oviposição, tais como: ninhos no fundo de rios, lagos e mar (pela remoção de areia e seixos); ninhos em plantas submersas; ninhos sobre folhas em ambiente aéreo; ninhos em balsas de espuma flutuante na superfície da água; ovos no interior de mexilhões, anêmonas, caranguejos e tunicados ou em partes externas do corpo dos pais (boca, nadadeiras, brânquias).
Analisando-se os vertebrados como um todo, observa-se que a oviparidade é mais comum no meio aquático, pois neste ambiente os ovos não ressecam e são dispersos pelas correntes. Além disso, no meio aquático geralmente há alimento em abundância.
A territorialidade é comum em diversas espécies de peixes ósseos e está relacionada à obtenção de recursos alimentares, abrigos e reprodução (a definição mais ampla de território é a seguinte: “Território é qualquer área defendida.”). No caso da reprodução o território é usado para atrair o sexo oposto e como local de cuidado à prole. Na maioria das espécies territoriais é o
macho que defende o território. A fêmea seleciona o macho com base nas características do território ou nas características do próprio macho.
Na estação reprodutiva geralmente há o desenvolvimento de dimorfismos sexuais, importantes no reconhecimento específico e sexual. Como dimorfismos sexuais comuns podemos citar o desenvolvimento de colorações vistosas (geralmente nos machos) e o desenvolvimento de certas nadadeiras e de calosidades relacionadas ao comportamento reprodutivo.
A existência de corte reprodutiva é muito comum em peixes ósseos. Na corte podem ocorrer exibições visuais (coloração e estruturas hipertrofiadas, como nadadeiras), toques para estimular o parceiro a se reproduzir (muitas vezes feito com estruturas especiais, como calosidades na cabeça) e possivelmente liberação de substâncias químicas. É possível que algumas espécies também utilizem sons como meio de comunicação durante a corte. A corte é muito importante como meio de sincronização na liberação de gametas, em espécies de fertilização externa.
Em espécies abissais o encontro entre os sexos é difícil (populações com densidades baixíssimas e ausência de luz). Algumas espécies resolveram este problema através da bioluminescência. Um caso mais extremo é observado em espécies em que a fêmea carrega um pequeno macho parasita, em uma estrutura que se desenvolve para esta finalidade. Este macho parasita (suga o sangue da fêmea) é um mero produtor de espermatozóides para fertilizar os óvulos da fêmea.
Diversas espécies de peixes ósseos realizam migrações reprodutivas que podem envolver milhares de quilômetros ou apenas algumas centenas de metros. Neste último caso podemos pensar, por exemplo, na migração de peixes a partir de uma área de alimentação de um lago para um local de desova particular dentro deste lago. Algumas das maiores migrações marinhas são feitas por atuns, peixes pelágicos que procriam nos mares tropicais. Os filhotes podem viajar milhares de quilômetros, em busca de alimento, antes de atingirem a maturidade e voltarem para procriar. Os peixes migratórios mais conhecidos são os salmonídeos. Estes peixes anádromos (= peixe marinho que procria na água doce) procriam em ribeirões de água doce ou lagos; os filhotes migram para o mar logo que nascem ou até dois anos de idade, dependendo da espécie. Atingem a maturidade no mar entre dois e quatro anos e, então, retornam ao ribeirão onde nasceram, para desovar. Nas espécies do gênero Oncorhyncus os indivíduos morrem após a desova e em espécies do gênero Salmo não necessariamente morrem, podendo retornar ao mar e desovar novamente no ano seguinte. Espécies de enguias catádromas (que vivem em água doce e procriam no mar) do hemisfério Norte (gênero Anguilla) também realizam grandes migrações reprodutivas até o Mar de Sargaço. Diversas espécies de peixes brasileiros realizam grandes migrações reprodutivas nos rios continentais; tal processo é conhecido popularmente como piracema.
Esqueleto:
Na maioria das espécies é ósseo. É cartilaginoso nos peixes ósseos mais primitivos, como os Chondrostei. Os peixes ósseos têm geralmente um grande número de ossos (exceção são os peixes de águas profundas, que apresentam reduções esqueléticas). As porções esqueléticas mais antigas em vertebrados correspondem à notocorda e ao esqueleto visceral (= esqueleto branquial). Nos peixes ósseos mais primitivos, como esturjões (Chondrostei), a notocorda persiste. Quanto ao esqueleto visceral, a situação é similar àquela vista para Chondrichthyes.
O crânio tem função de proteção do encéfalo, proteção dos órgãos dos sentidos e sustentação da língua, dentes e do aparelho respiratório. Os ossos de origem dérmica são importantes na constiuição do crânio de vertebrados em geral. No caso dos peixes ósseos destaca-se a presença de um opérculo móvel formado por ossos dérmicos.
A coluna vertebral evita encurtamentos do corpo durante as contrações musculares envolvidas nos movimentos de natação. As costelas, que se articulam à coluna vertebral, impedem deformações do corpo durante os movimentos rápidos, além de protegerem os órgãos contidos na cavidade interna do peixe. As nadadeiras apresentam raios ou ossos de sustentação, que estão articulados a outros ossos do corpo, de forma similar a Chondrichthyes.

Respiração Branquial:
A água é 800 vezes mais densa que o ar, contendo 30 vezes menos oxigênio (O2). Isto indica que o custo energético do bombeamento de fluidos para a respiração é muito maior na água do que no ambiente terrestre.
A respiração branquial ocorre através de uma corrente de água de direção única, como nos Chondrichthyes: a água entra pela boca saindo pelas fendas branquiais, sendo bombeada por movimentos laterais do opérculo, que dilatam a cavidade bucal.
A superfície branquial varia, sendo maior em espécies mais ativas, menor em espécies mais sedentárias e reduzida em espécies que apresentam outras formas de respiração.
A circulação branquail é do tipo fluxo contra-corrente, como já descrito para Chondrichthyes.
Sistema Circulatório:
Semelhante ao dos Chondrichthyes. Coração com um seio venoso, um átrio e um ventrículo. Alguns autores consideram o cone arterioso, que conecta o coração com a aorta ventral, como uma quarta câmara cardíaca.
Dos ciclóstomos aos teleósteos, com exceção dos peixes dipnóicos, o sistema circulatório é um sistema simples onde apenas sangue não oxigenado passa pelo coração. Do coração ele é bombeado para as brânquias, é oxigenado nas brânquias e daí é distribuído para o restante do corpo.
O baço é grande e apresenta funções hematopoiéticas (produz glóbulos vermelhos), o que também pode ocorrer nos rins.
Aparelho Digestório:
O alimento é geralmente deglutido inteiro; a boca secreta muco que facilita a ingestão. Nas espécies predadoras, os dentes são voltados para trás, o que dificulta a fuga das presas. Os dentes podem ser implantados nos maxilares, nos palatinos e na faringe. A válvula espiral está presente em formas primitivas de peixes ósseos como os Chondrostei (esturjões, peixe-espátula), mas está ausente na grande maioria das espécies.
O fígado varia pouco entre as classes de vertebrados. É o maior órgão da cavidade do corpo e suas funções são muitas e variadas. É um depósito de estocagem de carboidratos e gorduras. Converte proteínas em carboidratos e gorduras com a liberação de resíduos nitrogenados tóxicos que serão expelidos pelas brânquias ou rins. Elabora parcela significativa do vitelo que a mãe transfere para os óvulos. O fígado embrionário de tetrápodes e também o fígado adulto de peixes produz células sanguíneas. Quando velhos os glóbulos sanguíneos vermelhos são destruídos no fígado. O fígado desativa e remove substâncias tóxicas presentes na circulação e libera substâncias necessárias à coagulação sanguínea. Muitas vitaminas são produzidas ou estocadas neste órgão. A função que relaciona o fígado à digestão é a secreção de bile no duodeno; a bile emulsifica as gorduras tornando-as digeríveis para as enzimas
pancreáticas.
O pâncreas, assim como nos Chondrichthyes, têm funções exócrinas e endócrina. As funções exócrinas são desempenhadas por numerosas glândulas pequenas e dispersas, que secretam enzimas digestivas que são despejadas no trato digestivo. O pâncreas endócrino corresponde a uma massa celular maior que secreta insulina na circulação (metabolismo da glicose).

Sistema Urogenital:
Os rins são do tipo mesonéfrico. Os condutos que partem dos rins formam uma bexiga urinária. O conduto urinário abre-se independentemente atrás do ânus, faltando uma cloaca comum.
A excreção de amônia e uréia é feita principalmente pelas brânquias (seis vezes maior que pelos rins). A excreção de ácido úrico e creatina é feita principalmente pelos rins.
Muitos autores acreditam que a origem dos peixes ósseos se deu na água doce porque a concentração de sais no sangue destes peixes é menor que a concentração de sais da água do mar (1,4% de NaCl no sangue contra 3,5% de NaCl na água do mar). Assim, os rins devem ter evoluído tanto para filtrar o sangue (nos glomérulos), eliminando o excesso de água que tende a entrar no corpo do peixe, quanto para reabsorver sais (nos túbulos), que são limitantes em ambientes de água doce. Além disso, os peixes de água doce são capazes de absorver sais pela superfície branquial. Por outro lado, nos peixes de água salgada os rins são menos desenvolvidos quanto à função de filtração, pois não há tendência à entrada de água no corpo e, além disso, nas brânquias ocorrem células especiais que eliminam o excesso de sais.
Nos machos ocorre um par de testículos, que se abrem na base dos condutos urinários. Nas fêmeas ocorre um par de ovários; os óvulos podem ser liberados no celoma e daí atingir o exterior através de poros genitais ou podem ser transportados pelo oviduto até o exterior, dependendo da espécie. A fecundação é externa na maioria das espécies; quando interna geralmente há um órgão copulador que corresponde à nadadeira anal modificada. O embrião
pode carregar um saco vitelínico do qual se nutre.

Encéfalo e Órgãos dos Sentidos:
O encéfalo é muito variável, considerando-se a grande diversidade de peixes ósseos e a grande variedade de modos de vida. De uma maneira geral está disposto de forma similar ao encéfalo dos Chondrichthyes.
O mesencéfalo é a parte mais volumosa do encéfalo e recebe tratos ópticos (visão), tratos procedentes da medula espinhal (sensitivos), da lininha lateral, de centros gustativos e do cerebelo. Além disso, envia tratos motores até a medula espinhal.
O cerebelo é bem desenvolvido e é importante na produção de movimentos precisos e coordenados (é mais desenvolvidos nos peixes que são nadadores ativos)
De forma genérica podemos dizer que a audição, o tato e a quimiorrecepção são muito importantes no ambiente aquático e a visão teria importância secundária.
Os olhos (1 par) são muito variáveis dentre as 24 mil espécies de peixes ósseos. Os olhos podem ser vestigiais e não funcionais em peixes de caverna ou abissais até muito desenvolvidos e plenamente funcionais como em diversas espécies, incluindo certas formas abissais. Apresentam bastonetes (responsáveis pela visão em preto e branco) e cones (responsáveis pela visão a cores) na retina. A pupila pouco muda o seu diâmetro e o controle da sensibilidade visual se faz por migração de pigmentos visuais e alterações nas posições relativas entre cones e bastonetes. Nos peixes ósseos, ao contrário do que se observa em tubarões, geralmente o cristalino está acomodado para a visão de objetos próximos, de modo que o cristalino precisa ser movido para trás, em direção à retina, quando a visão à distância é necessária (em vertebrados amniotas o cristalino não é movido para focar objetos; o mecanismo usado é a alteração da forma do cristalino).
Até recentemente acreditava-se que o olho dos vertebrados correspondia a uma câmera que recebia e transmitia imagens passivamente. No entanto, (de acordo com artigo publicado na revista Nature de 25 de março de 1999) o olho também pode processar imagens, sendo capaz de prever a trajetória de objetos em movimento, antecipando suas posições futuras.
Esta antecipação ocorre na retina (tecido fotorreceptor nervoso que reveste o interior do globo ocular), pela ação das células ganglionares, e não no cérebro, como se pensava anteriormente.

TRANSPARÊNCIAS DO OLHO

O ouvido interno (1 par) é responsável pelo correto posicionamento do corpo em relação à gravidade, pela percepção de acelerações angulares e audição. Cada ouvido possui três canais semicirculares mais três câmaras (utrículo, sáculo e lagena). Em cada uma das três câmara há um otólito.
As ampolas possuem os neuromastos, que são células com prolongamentos filamentosos envoltos por uma cúpula gelatinosa flexível. Quando o peixe gira o corpo o encurvamento da cúpula estimula os prolongamentos filamentosos das células, o que gera a percepção do movimento. Quando o peixe está em repouso, os otólitos funcionam como gravirreceptores estáticos (indicam a posição do peixe em relação à força de gravidade, determinando a posição adequada das nadadeiras e dos olhos). Quando o peixe está em movimento, os otólitos atuam em conjunto com os canais semicirculares na determinação das acelerações angulares.
As câmaras (utrículo, sáculo e lagena) auxiliam na audição. Nos peixes que ouvem há uma conexão entre o ouvido e a bexiga natatória. A bexiga natatória funcionaria como uma grande superfície de captação de sons. A conexão entre a bexiga natatória e o ouvido pode ser direta ou indireta. Nos Ostariophysi (Characoidei, Cypriniformes e Siluriformes) a conexão é indireta, feita por uma cadeia de vértebras modificadas chamadas ossículos de Weber (são as quatro primeiras vértebras e seus processos). Quando a bexiga natatória capta o som, as suas paredes vibram. As vibrações propagam-se pelos ossículos e, no final da cadeia de ossículos, dois deles comprimem uma parte sensorial do ouvido interno (labirinto membranoso).

Produção de sons em peixes ósseos
Serve para:
-agrupar os peixes em cardumes e possibilitar o deslocamento do cardume;
-atração do sexo oposto;
-alertar membros da espécie sobre a aproximação de um predador;
-assustar um predador potencial que se aproxime;
-advertir um predador (e.g., bagres com espinhos venenosos);
-localizar objetos por meio de sonar.
Nos peixes ósseos os sons são produzidos por:
-vértebras;
-opérculos;
-cintura escapular;
-dentes;
-bexiga natatória (produção ou amplificação de sons).
Órgão da linha lateral:
Estão presentes por todo o corpo, principalmente ao lado do corpo e cabeça, onde geralmente distribuem-se em fileiras. Sua constituição e suas funções são similares àquelas já apresentadas para os Chondrichthyes.
Quimiorreceptores:
Os receptores gustativos (= botões gustativos) servem para a quimiorrecepção de contato; estão concentrados na língua e na faringe, mas podem estar presentes por todo o corpo.
Percebem sabores salgado, ácido, amargo e doce.
Os receptores olfativos localizam-se nas narinas (1 ou dois pares) e servem para a quimiorrecepção à distância. O olfato é importante na localização de alimentos, na percepção de ambientes inadequados, no reconhecimento específico (e.g., reconhecimento do sexo oposto e estágio reprodutivo) e como forma de defesa (e.g., reconhecimento de substâncias de alarme liberadas pela pele destruída de membros da mesma espécie). O desenvolvimento do órgão olfativo varia de acordo com os hábitos de cada espécie. Em espécies caçadoras é muito desenvolvido para farejar as presas. No caso de peixes migradores, como o salmão, os indivíduos retornam do mar para se reproduzir no rio onde nasceram. Isto é possivel graças a uma memória olfativa (o peixe “lembra” do odor da água do riacho onde nasceu e localiza estas partículas odoríferas diluídas no oceano).
Tato:
O tato é bem desenvolvido nos peixes ósseos. Muitas espécies apresentam filamentos táteis especiais, geralmente ao redor da boca ou estruturas modificadas a partir dos raios das nadadeiras (que também podem conter células quimiorreceptoras).
-Defesa em peixes ósseos (meio de evitar a predação):
-Fugir (quando o perigo é percebido podem fugir nadando, saltando da água, planando, escondendo-se em abrigos. Quando o peixe é capturado ele ainda pode fugir com o auxílio do muco escorregadio, secretado pelo tegumento).
-Morder (morde o predador como forma de retaliação, o que permite o escape).
-Descargas elétricas.
-Presença de carapaça óssea externa.
-Presença de espinhos que machucam e/ou envenenam o predador (defesa ativa).
-Veneno no corpo (certas espécies apresentam órgãos tóxicos e quando ingeridas causam desconforto ou até a morte do predador, o que caracteriza uma defesa passiva).
-Camuflagem (o animal apresenta coloração e/ou forma que o confunde com o ambiente onde ele vive).
-Coloração aposemática (o animal apresenta coloração contrastante como meio de avisar a possíveis predadores que ele possue alguma característica desagradável).
-Mimetismo (o peixe imita outro animal ou parte de outro animal, como meio de evitar predadores).
-Formação de cardumes (o cardume 1- dificulta a seleção, pelo predador, de uma presa específica do grupo; 2- engana o predador que percebe o cardume como uma presa grande; 3- potencializa o poder de percepção das presas, pois varios olhos, várias linhas laterais, etc., percebem com mais eficiência a aproximação de um inimigo; 4- reduz a área de vulnerabilidade de cada indivíduo).
Importância Ecológica dos Peixes Ósseos:
A importância ecológica dos peixes ósseos é imensa, pois este é o grupo dominante dos ambientes aquáticos. Apresentam elevado número de espécies e elevado número absoluto de indivíduos. Correspondem a uma parte significativa da biomassa dos ambientes aquáticos. A importância dos peixes ósseos pode ser confirmada pela sua participação na teia alimentar.
Invertebrados Anfíbios Répteis Aves Mamíferos
Peixes
Consumidores Secundários
Peixes
Zooplâncton Peixes Consumidores Primários
Algas e Fitoplâncton Produtores

Os dois vermes colocam-se ventre a ventre em posição inversa, isto é a extremidade anterior de um, oposta a do outro. Cada um dos poros masculinos nos dois animais eleva-se formando uma papila genital temporária muito saliente, que o animal ajusta no orifício da espermateca do conjugante. Assim os espermatozóides de um verme penetram diretamente na espermateca do outro.
Depois da separação, cada minhoca secreta um tubo mucoso em torno do clitelo
Alguns ovos são eliminados nesse tubo, que mais tarde formará um casulo protetor
Quando o tubo passa pelos receptáculos seminais estes esguincham o esperma armazenado sobre os óvulos
Desenvolvimento Direto